Moscou e Minsk acusam Alemanha de seletividade em direitos humanos e de relativizar crimes nazistas

Relatório conjunto dos ministérios das Relações Exteriores dos dois países afirma que Berlim aplica "dois pesos e duas medidas", amplia vigilância sobre cidadãos e alimenta discriminação contra russos.

Rússia e Belarus acusaram a Alemanha de adotar uma política de "dois pesos e duas medidas" em direitos humanos, além de ter problemas flagrantes em seu próprio território e de ignorar a memória histórica da Segunda Guerra Mundial.

As críticas constam no terceiro Relatório Conjunto dos Ministérios das Relações Exteriores dos dois países, divulgado nesta segunda-feira (3), pela chancelaria de Moscou.

Segundo o documento, Berlim utiliza a pauta dos direitos humanos como instrumento de pressão sobre outros países, enquanto rejeita críticas sobre sua própria situação interna. O relatório também afirma que há ampliação dos poderes das forças de segurança e dos serviços de inteligência, com impactos sobre a privacidade dos cidadãos.

Negação de crimes de guerra

Moscou e Minsk acusam ainda o governo alemão de se recusar a reconhecer como genocídio crimes de guerra cometidos pela Alemanha nazista contra os povos da antiga União Soviética, como o Cerco de Leningrado.

O texto também critica a política de indenizações da Alemanha, que, segundo os autores, contempla apenas sobreviventes judeus do cerco, excluindo outras vítimas.

O relatório aponta ainda um aumento dos casos de vandalismo contra memoriais soviéticos e russos na Alemanha e cita a retirada, em maio de 2025, de fitas com as cores das bandeiras da Rússia e de Belarus depositadas por delegações dos dois países em memorial da Grande Guerra Patriótica.

Outro ponto destacado é o voto da Alemanha, entre 2022 e 2025, contra a resolução anual apresentada pela Rússia na Assembleia Geral da ONU sobre o combate à glorificação do nazismo.

Por fim, o documento lembra que a russofobia se intensificou na Alemanha após o início da operação militar especial de Moscou contra o regime de Kiev, com aumento da discriminação contra integrantes da diáspora de língua russa, incluindo cidadãos alemães de origem russa e judeus russófonos.