Um surto relativamente pequeno de sarampo, com apenas 100 casos confirmados, foi suficiente para gerar um prejuízo de quase US$ 5,4 milhões (cerca de R$ 30 milhões) nos Estados Unidos. É o que aponta um estudo publicado nesta segunda-feira (3), no periódico científico Annals of Internal Medicine.
A pesquisa analisou o surto registrado em 2025 no estado do Novo México, que teve origem em uma comunidade com baixa cobertura vacinal no Texas e se espalhou para regiões de fronteira.
Embora tenha infectado poucas pessoas, a resposta mobilizou 133 profissionais de saúde pública e levou 205 pessoas expostas ao vírus a cumprir quarentena.
Os pesquisadores, ligados ao Departamento de Saúde do Novo México e aos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), estimaram um custo médio superior a US$ 53 mil (R$ 270 mil) por caso confirmado.
Detalhamento dos custos
A maior parte da despesa, cerca de US$ 3,2 milhões (R$ 16 milhões), foi destinada às ações de saúde pública. Somente as atividades de vacinação consumiram aproximadamente US$ 2,1 milhões (R$ 10 milhões). Já os custos médicos diretos somaram cerca de US$ 290 mil (R$ 1,4 milhão), incluindo sete internações hospitalares, consultas ambulatoriais e mais de 1.200 exames laboratoriais.
Outro impacto expressivo foi a perda de produtividade. O estudo calcula que o afastamento de pacientes, familiares responsáveis por crianças infectadas, pessoas colocadas em quarentena e a morte de um paciente representaram quase US$ 1,6 milhão (R$ 8 milhões) em prejuízos econômicos.
Situação do sarampo
O alerta ganha relevância em meio ao aumento da circulação do sarampo nos Estados Unidos. Até o momento, o país já confirmou mais de 2.300 casos da doença em 2026, ultrapassando o total registrado em 2025 e alcançando o maior número anual em 35 anos, cenário associado à redução das taxas de vacinação.
No Brasil, as autoridades sanitárias também intensificaram as medidas de prevenção. O Ministério da Saúde recomendou ampliar a vacinação contra o sarampo para toda a população de 6 meses a 59 anos nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo durante a Campanha de Multivacinação, após a identificação de uma cadeia de transmissão de vírus que veio do exterior.