O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a abrir um terceiro inquérito sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e pessoas ligadas a ele. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta terça-feira (4).
Dino também determinou a abertura de uma investigação para apurar o vazamento de informações mantidas sob sigilo nos inquéritos. O processo tramitará em segredo de Justiça, e ainda não há detalhes sobre o objeto da apuração.
O ministro foi sorteado relator dos processos depois que a PF apresentou os pedidos sem indicar relação direta com o inquérito sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), conduzido pelo ministro André Mendonça. As provas relacionadas a Lulinha foram identificadas durante essa investigação.
Apurações sobre órgãos federais
Os dois primeiros inquéritos tratam de suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde e no Palácio do Planalto e de negócios relacionados à Dataprev, empresa de tecnologia do governo federal. O terceiro busca apurar a atuação de aliados de Lulinha em outros órgãos da administração federal.
Segundo o material encaminhado ao STF, a PF considera que os fatos investigados não têm relação direta com os desvios no INSS. A corporação pediu prazo de 60 dias para diligências em uma das apurações e solicitou o compartilhamento de provas reunidas na Operação Sem Desconto.
A defesa de Lulinha ainda não se manifestou sobre a decisão. A defesa da empresária Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente, havia solicitado ao Ministério da Justiça uma investigação sobre o vazamento de conversas relacionadas ao caso.