O quanto a personalidade muda ao longo da vida? A ciência responde

Um novo estudo focou na análise de como cinco traços principais de personalidade se modificam.

Uma equipe de cientistas da Universidade de Zurique (Suíça) concluiu que a personalidade muda ao longo da vida muito mais do que as pessoas imaginam. Traços como conscienciosidade e extroversão podem variar tanto quanto a renda ou a saúde.

A pesquisa, publicada no início de agosto no periódico Communications Psychology, coletou dados de 887 adultos nos Estados Unidos. Eles foram solicitados a avaliar o quanto acreditavam que 25 características diferentes — incluindo cinco traços de personalidade principais, abertura, conscienciosidade, extroversão, amabilidade e neuroticismo, e outras variáveis ​​como renda, saúde e autoestima — mudavam ao longo de suas vidas.

Na segunda parte, os pesquisadores utilizaram oito grandes estudos longitudinais que acompanharam 166.971 pessoas durante décadas nos EUA, Alemanha, Austrália e Países Baixos. Usando esses dados do mundo real, eles mediram a mudança de personalidade de duas maneiras: mudança líquida, que mediu a diferença entre o início e o fim da vida, e mudança cumulativa, que registrou todos os altos e baixos que ocorreram ao longo de suas vidas.

Resultados inesperados

Ao comparar as respostas dos entrevistados com dados do mundo real, os cientistas descobriram que a personalidade muda tanto quanto, ou até mais do que, aspectos como satisfação com a vida, nível de renda ou estado de saúde.

Os autores observaram que a conscienciosidade — entendida como a tendência a ser cuidadoso, diligente e organizado — não permanece a mesma na adolescência e na velhice, revelando-se um dos aspectos mais mutáveis ​​da vida de uma pessoa. Enquanto isso, extroversão e abertura à experiência foram as características que mais declinaram ao longo dos anos.

Nesse sentido, os cientistas enfatizaram a discrepância entre a percepção humana e a realidade: os participantes subestimaram as mudanças em sua personalidade em 90% ao calcular as variações anuais e em 100% ao avaliar as transformações ao longo de toda a vida. Em contrapartida, ao prever mudanças em sua saúde, erraram apenas entre 29% e 43% das vezes.

As descobertas desafiam a ideia de que "eu sou assim mesmo", demonstrando que as pessoas podem mudar com o tempo, embora geralmente de forma gradual. Contudo, os autores alertaram que o estudo se concentrou em médias gerais e, portanto, recomendaram combinar esse tipo de análise com abordagens individualizadas para melhor compreender como cada pessoa realmente evolui.