Gigante automotiva alemã enfrenta 'encruzilhada histórica' diante de enormes prejuízos

"Quanto mais as decisões forem adiadas, maiores serão os problemas", alertou Hans Dieter Potsch, presidente do conselho de administração da Porsche SE.

A Porsche SE, maior acionista da Volkswagen, instou a maior montadora da Europa a agir rapidamente para cortar custos e reverter a queda nos lucros em meio ao aumento da concorrência.

Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira (7), o grupo, controlado pela família Porsche-Piech, enfatizou que a Volkswagen deve considerar "todas as opções" para alcançar uma reviravolta radical, tendo registrado um prejuízo líquido de 2,22 bilhões de euros no primeiro semestre de 2026.

"O Grupo Volkswagen encontra-se numa encruzilhada histórica. As decisões que a Volkswagen tomar agora determinarão o seu futuro. Pelo bem da empresa e da sua competitividade sustentável, todos devem assumir a sua responsabilidade. Quanto mais as decisões forem adiadas, maiores serão os problemas", afirmou Hans Dieter Potsch, presidente do conselho de administração da Porsche SE.

Segundo ele, "a atenção deve estar focada exclusivamente no que é necessário do ponto de vista empresarial e econômico". "Todas as outras considerações devem ser secundárias", enfatizou.

Riscos competitivos

As suas declarações foram apoiadas por Johannes Lattwein, membro do Conselho de Administração responsável pelas finanças e tecnologia da informação. Lattwein indicou que, para o sucesso contínuo da Volkswagen, "é imperativo reduzir a capacidade ociosa, diminuir significativamente os custos e fortalecer fundamentalmente as capacidades de tomada de decisão e de execução do Grupo".

"Como acionista majoritária das ações ordinárias da Volkswagen AG, a Porsche SE apoia, portanto, o conselho de administração do grupo e suas propostas. A competitividade é o objetivo. Todas as opções para alcançá-la devem ser consideradas. Caso contrário, a Volkswagen corre o risco de perder terreno permanentemente para seus concorrentes internacionais", concluiu.

Medidas radicais

O anúncio drástico surge em um momento em que a indústria automobilística alemã enfrenta uma das crises mais graves de sua história. Anteriormente, o Financial Times noticiou que a empresa está preparando um plano drástico de redução de custos, que inclui a possível eliminação de até 100 mil empregos nos próximos anos e o fechamento de quatro fábricas na Alemanha.

De acordo com uma investigação da revista Manager Magazin, citada pela Der Spiegel, a alta administração da Volkswagen acredita que o grupo está enfrentando uma questão de sobrevivência. A reportagem revelou que seis dos nove membros do conselho entrevistados descreveram a situação atual como uma ameaça existencial para a empresa, enquanto os outros três a descreveram como "tensa". Ninguém selecionou uma opção equivalente a "não crítica".