
Etanol brasileiro pressiona preço do açúcar no mercado internacional, aponta FAO

Uma decisão tomada em solo brasileiro está entre os fatores que pressionaram para cima o preço internacional do açúcar em julho. É o que aponta o mais recente Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado nesta sexta-feira (7), citado pela ONU.
Segundo o levantamento, os preços do açúcar subiram 5,6% em relação a junho e 8% na comparação com julho de 2025. Parte da alta é atribuída à expectativa de aumento na demanda por etanol no Brasil, provocada por um reajuste temporário na mistura obrigatória do combustível à gasolina.
Na prática, a medida deve direcionar uma fatia maior da cana-de-açúcar processada nas usinas brasileiras para a produção de etanol, reduzindo a oferta destinada à fabricação de açúcar — e afetando, por tabela, o mercado internacional do produto.
Entretanto, o impacto no preço global foi contido pela melhora nas condições de colheita nas principais regiões produtoras do Centro-Sul do país.

Preocupações com o clima quente e seco na União Europeia, somadas aos efeitos esperados do fenômeno El Niño sobre lavouras na Ásia, também contribuíram para pressionar as cotações do açúcar.
Cereais também sobem; carne recua
O Índice de Preços de Cereais da FAO avançou 3,4% em relação a junho, revertendo a queda registrada em maio e ficando 6,9% acima do patamar de julho de 2025.
O trigo teve a alta mais expressiva, de 5,8%, em meio a temores sobre interrupções nas exportações pelo Mar Negro — região afetada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia — e ao efeito de ondas de calor em importantes países produtores.
Já os preços do milho subiram 3,6%, impulsionados pelo clima quente e seco em partes dos Estados Unidos e por turbulências nos mercados de energia, agravadas pela escalada no Oriente Médio. O arroz, por sua vez, manteve-se estável no período.
Na contramão dos demais itens, o preço da carne caiu 2,8% em relação ao recorde de junho — primeira queda mensal do ano.
A retração foi puxada pela redução nas cotações de aves no Brasil, favorecida pela abundância de exportações do país, além da queda no preço da carne suína na União Europeia, diante da alta oferta europeia.
