Os Estados Unidos temem perder a confiança de aliados importantes na Ásia — Japão e Coreia do Sul, devido ao esgotamento das reservas de armamentos essenciais em meio ao conflito com o Irã, segundo altos funcionários americanos ouvidos pelo The New York Times no sábado (8).
As operações militares contínuas reduziram os estoques a "níveis críticos", aponta o jornal. Como exemplo, o Pentágono teria atualmente menos de 1.700 mísseis interceptadores Patriot, e Washington poderia levar mais de dois anos para recompor o arsenal. Durante o confronto com Teerã, mais de 1.500 interceptadores teriam sido utilizados.
Preocupação entre os aliados de Washington
Esse cenário obrigou os EUA a redistribuir navios, aeronaves e sistemas de defesa aérea para o Oriente Médio, reduzindo a margem de atuação militar americana na Europa e na Ásia. Nesse contexto, centenas de interceptadores de defesa aérea de última geração teriam sido enviados da Coreia do Sul e de outros países da região, além de um grupo de ataque de porta-aviões e vários dos mais sofisticados destróieres da Marinha americana.
Funcionários americanos citados pelo jornal temem que Seul e Tóquio passem a questionar a capacidade de Washington de protegê-los com sistemas de defesa não nucleares e, consequentemente, considerem desenvolver suas próprias armas nucleares como uma forma mais confiável de dissuasão.
Ao mesmo tempo, aliados europeus estariam avaliando ampliar suas compras de armamentos de outros países diante dos atrasos na produção americana.
Relatos sobre falta de munições
A imprensa americana tem divulgado periodicamente informações sobre o esgotamento das reservas de armamentos, especialmente em razão das operações militares de Washington contra Teerã.
O The Washington Post informou nesta quarta-feira (5), citando fontes, que Trump teria exigido recentemente do secretário de Guerra, Pete Hegseth, explicações sobre por que teria sido enganado a respeito de uma grave escassez de munições. O problema agora ameaçaria limitar as opções militares contra a República Islâmica, embora o presidente acreditasse que a questão "já havia sido resolvida".
Já a Reuters informou na terça-feira (3) que os EUA teriam utilizado "praticamente todas" as suas reservas de mísseis de precisão de longo alcance durante as operações contra o Irã, em um conflito que já se estende por cinco meses.
O Exército americano teria esgotado grande parte de seus estoques de armas terra-terra, especialmente os Sistemas de Mísseis Táticos do Exército (ATACMS) e os Mísseis de Ataque de Precisão (PrSM). Segundo fontes ouvidas pela agência, cada unidade custa mais de US$ 1 milhão. Os interlocutores, no entanto, não informaram quantos mísseis ainda estariam disponíveis.
O que diz a Casa Branca sobre a crise de armamentos?
A Casa Branca rejeitou os relatos sobre uma crise de armamentos. A porta-voz presidencial, Karoline Leavitt, afirmou que os Estados Unidos dispõem de "mais do que suficiente poder de fogo" para realizar qualquer operação ordenada pelo presidente.
Na mesma linha, o porta-voz-chefe do Pentágono, Sean Parnell, classificou como falsas as informações sobre uma suposta escassez de armamentos.