Os países do Golfo Pérsico estão dispostos a aceitar o controle de Irã sobre o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, considerando a medida preferível à continuação das hostilidades entre Washington e Teerã, informou o Wall Street Journal na segunda-feira (10), citando fontes da região.
Segundo o jornal, os produtores de energia do Golfo não estão satisfeitos com o mecanismo de passagem negociado entre Omã e Irã, mas o veem como uma "opção menos ruim" em comparação ao reinício da guerra.
Estreito de Ormuz no centro da tensão
Uma das principais rotas de transporte de energia do mundo, o Estreito de Ormuz tornou-se um dos principais focos de tensão entre Irã e Estados Unidos desde que Washington, em conjunto com Israel, lançou ataques contra território iraniano em 28 de fevereiro.
« ENTENDA POR QUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »
Em resposta, Teerã fechou a passagem marítima e iniciou negociações com Omã para estabelecer um mecanismo conjunto para o trânsito de embarcações.
Um eventual acordo com Mascate sobre novas regras de navegação, no entanto, não significaria, neste momento, a reabertura imediata do estreito, segundo as informações divulgadas.
Em 5 de agosto, o Irã informou que as coordenadas geográficas de uma nova rota foram acordadas entre os dois países. O porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, afirmou no sábado (8) que o novo ordenamento imposto por Teerã no estreito é "irreversível" e que os EUA não têm alternativa senão aceitá-lo ou "arcar com custos muito maiores do que no passado".
Em 9 de agosto, o parlamento iraniano aprovou um projeto de lei que estabelece novas regras para o trânsito, assegurando que nenhuma embarcação poderá atravessar sem permissão.