Com churrasco para a imprensa, Flávio Bolsonaro adota tática à la Boris Johnson

O senador criticou decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, a jornalistas nesta terça-feira (11), em situação que lembra a estratégia adotada pelo ex-primeiro-ministro britânico em 2018.

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou nesta terça-feira (11) a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou busca e apreensão contra o ex-secretário de Segurança do Maranhão Raimundo Cutrim. As críticas foram feitas em conversa com jornalistas, aos quais Flávio levou churrasco.

Chá aos jornalistas

Um gesto semelhante ocorreu no Reino Unido em agosto de 2018Boris Johnson, então ex-ministro das Relações Exteriores britânico, ofereceu xícaras de chá aos jornalistas que aguardavam do lado de fora de sua casa, perto de Thame, em Oxfordshire, segundo a Reuters.

Na ocasião, Johnson era pressionado por repórteres a comentar declarações que havia feito sobre mulheres que usam burca. O político serviu as bebidas, mas evitou responder às perguntas sobre a controvérsia.

Entenda:

De acordo com o portal Metrópoles, Cutrim é apontado na decisão como fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens sobre o ministro Flávio Dino. A investigação é sigilosa e foi confirmada pelo advogado do ex-secretário e pelo STF.

Flávio afirmou que o sigilo da fonte é "sagrado" e classificou a medida como uma ameaça à liberdade de imprensa. "Eu acho que tem que haver um momento de unidade da própria imprensa contra esse tipo de abuso, de ilegalidade, de arbitrariedade", declarou.

senador também questionou a segurança de fontes para repassar informações a jornalistas, sugerindo a possibilidade de ministros do STF determinarem buscas relacionadas ao trabalho de reportagem. Ele pediu ainda que outros integrantes da Corte se manifestem. "Eu acho que o momento é de todo mundo se posicionar", afirmou.

Jornalista também foi alvo

O jornalista Luís Pablo Almeida também foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em março de 2026, por ordem de Moraes, após publicar reportagens sobre o uso de veículos oficiais no Maranhão.

Na ocasião, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, computadores e celulares. A PGR deu parecer favorável à atuação da PF nas apurações.