Mercenário brasileiro que lutou por Kiev é condenado a 14 anos de prisão pela Rússia

A investigação destaca que Johnson recebeu uma recompensa do lado ucraniano equivalente a cerca de R$ 123 mil.

O mercenário brasileiro, Jean Carlo Johnson, de 60 anos, que lutou pelo lado ucraniano no conflito com a Rússia, foi condenado à revelia, pelo Supremo Tribunal da República Popular de Donetsk, a 14 anos de prisão em uma colônia penitenciária de regime rigoroso. A informação é do Comitê de Investigação da Federação Russa, que também informou nesta quarta-feira (12) que emitiu um mandado de busca internacional contra Johnson.

De acordo com a investigação e o tribunal, Johnson, que residia em Curitiba-PR, chegou à Ucrânia da Polônia em junho de 2023, recebeu treinamento militar na Legião Internacional e participou de ações de combate contra militares russos. Em 2026, Johnson assinou um contrato com as Forças Armadas da Ucrânia e participou do conflito, sendo responsável pela morte de civis e destruição de infraestrutura civil.

A investigação destaca que Johnson recebeu uma recompensa do lado ucraniano equivalente a cerca de R$ 123 mil. Segundo a Procuradoria Geral da Rússia, ele chegou a receber uma condecoração das Forças Armadas da Ucrânia.

Mercenários brasileiros na Ucrânia

O recrutamento de brasileiros para lutar ao lado do regime de Kiev no conflito na Ucrânia começa antes da viagem, do contrato e do envio ao front. O início se dá em páginas de redes sociais e sites que apresentam a entrada nas forças ucranianas como uma oportunidade de salário em dólar, atuação em áreas técnicas e experiência militar.

chegada de brasileiros à Ucrânia marca o início de uma etapa menos visível do recrutamento estrangeiro. Depois dos vídeos em português, dos formulários on-line e das promessas de salários em dólar, o candidato passa a depender de documentos em idioma que não domina, de uma cadeia de comando militar que não dialoga sobre as possibilidades de atuação e de regras contratuais que limitam a saída.

« ENTENDA COMO A UCRÂNIA MANIPULA BRASILEIROS A ATUAREM COMO MERCENÁRIOS E COMO ELES SOFREM NO CONFLITO EM NOSSA REPORTAGEM EM TRÊS PARTES »

As famílias de brasileiros mortos após se alistarem para lutar ao lado do regime de Kiev afirmam que a morte no front não encerra o sofrimento. Sem confirmação oficial, sem corpo, sem certidão, sem baixa militar e sem compensação financeira, parentes relatam que permanecem presos a uma espera que depende de documentos e respostas que não chegam.