Tripulação de porta-aviões dos EUA no Oriente Médio enfrenta condições degradantes e tentativas de suicídio

Mofo, pouca comida e vergonha: após 8 meses em alto-mar, marinheiros e fuzileiros navais enfrentam condições cada vez piores e não têm nenhuma ideia de quando voltarão para a casa, em meio ao prolongamento indefinido da guerra dos EUA contra o Irã.

A tripulação do porta-aviões USS Abraham Lincoln, em missão no Oriente Médio desde novembro, passa por uma crise logística e de saúde mental em que alguns soldados até mesmo tentaram o suicídio, de acordo com informações de sites especializados em assuntos militares americanos, divulgadas nesta terça-feira (11).

Com o prolongamento indefinido da guerra dos EUA contra o Irã, o navio com mais de 5 mil marinheiros e fuzileiros navais está em missão há mais de 8 meses.

Os portos dos países aliados no Oriente Médio como Bahrein e Kuwait não estão mais disponíveis devido ao risco de ataques iranianos. Com a logística prejudicada, vários itens de primeira necessidade começam a faltar.

Mais de 200 parentes se reuniram com o Secretário da Marinha, Hung Cao, em San Diego na quinta-feira (7) e discutiram a degradação nas condições de vida do navio, incluindo múltiplos incidentes onde tripulantes teriam tentado se suicidar.

Annabelle Loma, de San Diego, disse ao The Military Times que perdeu contato frequente com seu marido desde que ele tentou pular ao mar em desespero, e não recebeu nenhum tipo de satisfação da Marinha por semanas.

"Ele está com medo, ele acha que simplesmente por ter entrado em colapso sua carreira de 13 anos foi arruinada. Isso não é justo".

Outros familiares de marinheiros reportam situações similares. Maria Rodriguez, esposa de um militar, disse que o seu marido relatou ter salvo um tripulante de cometer suicídio.

Mofo, pouca comida, e vergonha

Entre os problemas reportados estão banheiros que não funcionam, mofo nas paredes, rações insuficientes de comida, e até questionamentos sobre o propósito da missão. Uma pessoa, que foi aplaudida pelos presentes na reunião, disse que seu parente alocado no navio se sente "envergonhado" de participar do "assassinato de civis inocentes".

Representantes da Marinha disseram estar cientes das dificuldades entrentadas pelos militares e que os navios contam com conselheiros, profissionais da área de saúde mental e líderes religiosos, mas não conseguem oferecer uma data concreta de quando a missão será concluída e os soldados retornarão aos EUA.