Ministros do STF enxergam precedente perigoso para liberdade de imprensa em decisão de Moraes

O ministro Alexandre de Moraes autorizou, na terça-feira (11), uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo.

Quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ouvidos pelo O GLOBO em reportagem publicada nesta quinta-feira (13) avaliaram que a decisão de Alexandre de Moraes que autorizou uma operação contra Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablopode criar um precedente perigoso para o sigilo da fonte e a liberdade de imprensa.

Outros integrantes da Corte, porém, fazem ressalvas e afirmam que a proteção constitucional não impede investigações quando há suspeita de crimes praticados pela própria fonte.

Divergências no Supremo

Um dos ministros críticos classificou a decisão como "totalmente incompatível" com a jurisprudência do STF sobre o sigilo da fonte.

Outro afirmou que a medida é "preocupante" por considerar que ela "restringe a liberdade de imprensa".

Os magistrados citam como referência uma decisão de Gilmar Mendes, de 2019, que impediu a investigação do jornalista Glenn Greenwald em razão da preservação do sigilo de suas fontes.

Para a ala que faz ressalvas, o sigilo da fonte não impede a responsabilização caso existam indícios de que a própria fonte tenha cometido um delito.