
Trump se distancia de Netanyahu às vésperas das eleições israelenses — Axios

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem evitado publicamente endossar a reeleição do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu às vésperas das eleições previstas para 27 de outubro, apesar de constantes questionamentos da imprensa, conforme reportado pelo jornal Axios na sexta-feira (14).

Durante encontro no Salão Oval há duas semanas, quando Trump perguntou a Netanyahu sobre seu desempenho nas pesquisas, um assessor do premiê afirmou que ele estava vencendo. A declaração, porém, contrasta com a realidade dos levantamentos.
As pesquisas de intenção de voto indicam cenário desfavorável para o atual governo, diante de levantamentos divulgados pela imprensa israelense. A coalizão de Netanyahu projeta entre 49 e 53 cadeiras no Knesset, parlamento israelense com 120 assentos, muito aquém das 61 necessárias para formar governo.
Os partidos da oposição, por outro lado, devem conquistar entre 67 e 70 cadeiras, com o principal rival de Netanyahu, o ex-chefe de gabinete das Forças de Defesa de Israel, Gadi Eizenkot, obtendo melhores índices de favorabilidade.

Crise no relacionamento?
Segundo autoridades americanas citadas pela Axios, Trump mantém bom relacionamento pessoal com Netanyahu, mas tem expressado frustração com suas decisões.
"Bibi é seu próprio pior inimigo", teria dito o presidente a pessoas que conversaram com ele recentemente, aponta a Axios. As divergências públicas se acentuaram nos últimos três meses, especialmente sobre Irã, Líbano e Gaza, com a rejeição aberta de Netanyahu ao plano de desarmamento do Hamas proposto por Trump gerando tensão adicional.
A Casa Branca, segundo alto funcionário citado pela Axios, não deseja que a política interna israelense atrase sua agenda regional, que inclui negociações sobre Gaza, Líbano e possível acordo histórico entre Israel e Arábia Saudita.

Detalhes eleitorais
A eleição israelense ocorre em sistema parlamentar proporcional, onde cidadãos votam em partidos que devem ultrapassar a barreira de 3,25% dos votos para obter representação.
Entre os temas centrais da atual campanha estão segurança nacional, igualdade no serviço militar obrigatório — especialmente quanto à isenção de estudantes ortodoxos de yeshivot — e custo de vida, segundo levantamento da imprensa internacional.
Figuras da oposição israelense, incluindo Eizenkot e os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, manifestaram preocupação com possível endosso de Trump a Netanyahu e transmitiram mensagens ao presidente americano pedindo neutralidade.


