O Brasil recebeu mais de 34 mil refugiados no primeiro semestre de 2026, com cubanos liderando os pedidos de asilo, superando venezuelanos e haitianos, segundo dados do OBMigra divulgados em agosto e apresentados pelo portal Poder360 neste sábado (15). Esse fluxo integra os mais de 548 mil imigrantes que buscaram refúgio desde 2016.
A liderança cubana representa mudança significativa no perfil migratório, diante de 20.400 pedidos vindos da ilha. O aumento é associado aos apagões provocados pelo bloqueio energético do governo americano de Donald Trump, intensificados após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro de 2025, quando os Estados Unidos cortaram as remessas de petróleo da Venezuela à ilha.
Em entrevista ao portal citado em julho, o embaixador cubano para o Brasil, Victor Cairo, sinalizou o aumento da mortalidade infantil no país, provocada pela política externa agressiva dos EUA. "Há médicos em Cuba que têm 2 pacientes e precisam escolher qual deles receberá determinado medicamento, porque não há remédios suficientes para tratar ambos", declarou.
Perfil migratório
Os venezuelanos, que historicamente lideraram as solicitações de ingresso e registraram cerca de 21.200 pedidos em 2025, apresentaram redução. Roraima concentra 60% das entradas, totalizando 331 mil cidadãos da Venezuela na última década.
A imigração haitiana aparece em terceiro, com 1.405 pessoas no primeiro semestre de 2026, superando os 262 registros de 2025.
O Brasil abriga 2 milhões de imigrantes de 200 nacionalidades, sendo 414 mil empregados formalmente, segundo dados apresentados pelo Ministério de Justiça de São Paulo e divulgados em maio deste ano. Apenas 3.540 pedidos obtiveram decisões em 2026, sendo 2.425 deferidos.