Glenn Greenwald acusa EUA de proibir TikTok para ocultar imagens da "carnificina" em Gaza

"Essa é a única maneira de fazer com que as populações aceitem essas guerras constantes", afirma o jornalista.

O jornalista americano Glenn Greenwald sustenta que o governo dos Estados Unidos adota estratégias deliberadas para impedir que os cidadãos americanos conheçam a dimensão real das vítimas civis causadas por suas operações militares. Segundo ele, essa estratégia estaria por trás da proibição do TikTok, como forma de controlar a circulação de imagens dos ataques em Gaza.

"Você ouviu alguma coisa sobre as famílias das 165 meninas estudantes que matamos no primeiro dia da guerra no Irã? Não. Essa é uma estratégia muito deliberada para garantir que os americanos não pensem nem se concentrem na quantidade de carnificina e sofrimento causada pelo Exército dos EUA", denunciou em uma conversa com o jornalista Tucker Carlson, divulgada nesta sexta-feira (14).

Greenwald afirma que "a única maneira de fazer com que as populações aceitem essas guerras constantes" é impedir que elas "percebam o que isso realmente implica". Nesse contexto, ele aponta que Gaza foi uma exceção, já que muitas "pessoas tinham câmeras nas mãos e estavam publicando conteúdo" que mostrava "a carnificina real e a verdadeira desumanidade que acontecia todos os dias", algo que, segundo ele, "as pessoas não podiam evitar".

Nesse contexto, o jornalista relacionou a proibição do TikTok ao controle dessas imagens, e não tanto às preocupações de Washington em relação à China. Ele observa que a proibição ganhou força somente depois que "a ADL [Liga Antidifamação] apareceu e disse: 'a razão pela qual os jovens estão se voltando contra Israel na guerra contra Gaza é porque há muitos desses vídeos circulando no TikTok'".

Nesse sentido, Greenwald argumenta que a plataforma de vídeos era "a única saída que o governo dos EUA não conseguia controlar completamente", ao contrário das redes americanas que "dependem do governo dos EUA" para todos os seus contratos de defesa e para os demais contratos que obtêm com a CIA e o Pentágono e que "nunca serão adversárias do governo".

Por outro lado, ele afirma que "a ByteDance realmente não tinha esse interesse pessoal no governo dos Estados Unidos e não precisava obedecer às ordens de censura", concluindo que, "ironicamente, era um dos únicos vestígios de uma grande plataforma que o governo americano não conseguia censurar. E por isso teve que ser tirada de suas mãos".