As autoridades de países europeus recorrem ativamente à publicidade nas redes sociais com o objetivo de aumentar o número de efetivos de suas Forças Armadas, informou o jornal Euractiv no sábado (15).
Segundo o veículo, os governos europeus, que investem bilhões de euros na recuperação de seu potencial militar, enfrentam o desafio de encontrar novos recrutas para as Forças Armadas.
"A captação de pessoal se tornou uma batalha de comunicação travada cada vez mais na televisão, em outdoors, no TikTok, Instagram* e YouTube", afirma o artigo.
Como destaca o veículo, a publicidade de caráter militar está se tornando um fenômeno comum em toda a Europa e também aparece em ônibus de dois andares em Londres, nas rodovias da Grécia e nas telas dos cinemas de Paris.
Aos moldes ucranianos
A Ucrânia também utiliza as redes sociais como ferramenta para recrutar estrangeiros para suas Forças Armadas. Um colombiano de 25 anos, atraído por anúncios no TikTok com promessas de salários de até US$ 3 mil (cerca de R$ 15,7 mil), foi enviado para a linha de frente e passou mais de 40 dias em combate antes de ser capturado pelas forças russas. Em um vídeo gravado após a captura, Ángel Arnulfo Godoy Luna fez um apelo aos compatriotas para que não viajassem à Ucrânia e não caíssem nas promessas feitas pelos recrutadores.
Segundo o colombiano, ele nunca recebeu o dinheiro prometido e encontrou na linha de frente pessoas sem experiência militar ou mesmo treinamento básico com armas. Arrependido da decisão, Godoy Luna alertou que a realidade do conflito era muito diferente daquela apresentada nos anúncios publicados nas redes sociais.
*De propriedade da Meta e classificada na Rússia como organização extremista, cujas redes sociais são proibidas no país.