Duplo abalo na Colômbia: De la Espriella dá guinada radical na política externa em meio à crise provocada pelo terremoto

Fortalecer as relações com os EUA e Israel é uma das principais apostas do novo presidente.

O início do governo de Abelardo de la Espriella foi abalado pelo devastador terremoto que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10), alterando boa parte da agenda do novo presidente. No entanto, houve um assunto que seguiu conforme o planejado: a estreia de sua nova política externa.

Em sua primeira semana na Presidência, De la Espriella promoveu uma série de medidas que representam uma guinada radical em relação à linha adotada por seu antecessor, o esquerdista Gustavo Petro. Entre elas estão a continuidade da aproximação com Israel, iniciada durante a campanha, e a aposta no fortalecimento das relações com Washington.

Aproximação com Israel e desafio ao Oriente Médio

Ainda como presidente eleito, De la Espriella acordou com Israel o restabelecimento das relações diplomáticas, rompidas em maio de 2024 por decisão de Petro em meio à guerra na Faixa de Gaza.

Em linha com essa aproximação, na segunda-feira, mesmo dia em que um terremoto de magnitude 7,4 abalou o país sul-americano, o governo reconheceu a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã, território sírio ocupado por Israel, segundo a ONU. Com a decisão, a Colômbia se tornou o segundo país do mundo a reconhecer a soberania israelense sobre a região, depois dos EUA.

A medida provocou reações de Síria e de outros países do Oriente Médio, entre eles Egito, Catar, Arábia Saudita, Jordânia, Iêmen e Turquia. A Liga Árabe também criticou a decisão e denunciou o que classificou como uma violação do direito internacional.

Estados Unidos: amigos novamente

Outra grande mudança ocorreu na relação com os EUA, deixando para trás a política de distanciamento adotada pelo governo anterior.

Na quarta-feira, o governo de De la Espriella formalizou a entrada da Colômbia no Escudo das Américas, uma coalizão militar promovida pelo governo de Donald Trump com o objetivo declarado de combater os cartéis do narcotráfico.

No âmbito da nova aliança, o Pentágono anunciou que Bogotá solicitou a realização de operações militares conjuntas para "destruir terroristas e redes terroristas". A possibilidade provocou reações no Congresso colombiano, onde parlamentares advertiram que uma eventual entrada de tropas no território nacional dependeria de autorização prévia do Senado.

Só servem os que pensam igual?

A nova orientação da política externa, segundo denúncias feitas por jornalistas e políticos de oposição, parece se refletir até mesmo na gestão da ajuda humanitária. A Colômbia aceitou equipes de resgate apenas de países com governos ideologicamente alinhados: EUA, Israel, Equador e El Salvador.

O governo, no entanto, negou ter rejeitado ajuda de outras nações por razões ideológicas. "Não excluímos nenhum país em relação às ofertas que nos fizeram. Trabalhamos com os países sem qualquer consideração ideológica ou política", afirmou o chanceler Ómar Bula.