A Rússia afirmou que a falta de avanços no processo de paz do Iêmen contribuiu para levar os Houthis a um confronto regional que foi "iniciado pelos EUA e por Israel" contra o Irã.
A declaração foi feita na quinta-feira (13) pela representante russa Dina Gilmutdinova durante reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre o Iêmen. Segundo ela, o país atravessa sua pior crise militar e política desde o cessar-fogo de abril de 2022.
Para Moscou, a escalada recente começou após o ataque da coalizão árabe, aliada dos EUA na região, contra infraestruturas no Iêmen. Gilmutdinova citou o bombardeio do Aeroporto Internacional de Sana'a após pousos de voos civis e classificou a resposta como "excessiva", diante da importância humanitária do aeroporto.
Resposta dos Houthis
Na sequência, os Houthis lançaram ataques, inclusive contra território saudita, enquanto a coalizão respondeu com bombardeios em áreas controladas pelo grupo. As ações também atingiram o Mar Vermelho, onde os iemenitas passaram a atacar ou tentar impedir a passagem de navios no Estreito de Bab el-Mandeb, alegando reação ao bloqueio imposto ao norte do Iêmen.
"Testemunhamos como a prolongada falta de progresso no processo de paz iemenita forçou os houthis a um confronto regional iniciado pelos EUA e por Israel contra a República Islâmica do Irã", afirmou a representante russa.
Apesar da escalada, Moscou defendeu a retomada das negociações e afirmou que uma solução depende da participação de todas as principais forças políticas iemenitas, incluindo os houthis. A Rússia também pediu o fim das restrições à entrada de alimentos, medicamentos e outros bens essenciais no país.
«QUEM SÃO OS HOUTHIS, O PODEROSO E CRESCENTE MOVIMENTO REBELDE DO IÊMEN?»