Israel e Estados Unidos chegaram a um entendimento para que um eventual desarmamento do Hamas ocorra sob supervisão americana, e não de Turquia ou Catar, os mediadores regionais. O acordo foi discutido após reunião de Benjamin Netanyahu com representantes dos EUA e do Conselho da Paz. A informação foi publicada pelo portal Israel Hayom nesta segunda-feira (17).
Segundo uma fonte política israelense, não haverá nova retirada das forças israelenses da Faixa de Gaza enquanto o Hamas não entregar suas armas.
As armas seriam entregues para destruição sob supervisão do major-general americano Jasper Jeffers. As Forças de Defesa de Israel também manteriam liberdade de ação contra ameaças, incluindo integrantes da Nukhba, força de elite do Hamas.
Benjamin Netanyahu se reuniu em Jerusalém com o assessor presidencial americano Jared Kushner, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e o alto representante do Conselho da Paz para Gaza, Nickolay Mladenov. O encontro tratou da administração do território e do desarmamento do Hamas.
Linha Amarela
O premiê israelense afirmou que as forças permanecerão na chamada Linha Amarela enquanto as armas do Hamas não forem destruídas. A linha marca a posição até a qual as tropas israelenses permaneceriam durante esse período.
O plano em discussão prevê transferir a autoridade civil de Gaza para um conselho tecnocrático e criar zonas-piloto sem presença do Hamas em Rafah e no norte do território. Nessas áreas, seriam instalados acampamentos temporários para deslocados, com serviços de educação, saúde e infraestrutura.
A proposta também prevê uma Força Internacional de Estabilização, inicialmente com tropas de Uganda e Kosovo e, depois, soldados do Marrocos. Israel deu aprovação em princípio à iniciativa, mas detalhes operacionais e atribuições da força ainda não foram definidos.
Negociações no Egito
Kushner chegou a Israel depois de conversas em El Alamein, no Egito, com uma delegação do Hamas e representantes de Catar, Turquia e Egito.
Durante as negociações, representantes do Hamas disseram estar dispostos a transformar o grupo em partido político e aceitar o roteiro proposto pelo Conselho da Paz.
O assessor presidencial norte-americano respondeu que o governo dos Estados Unidos exige a desmilitarização completa da Faixa de Gaza para impedir futuras ameaças a Israel.
A chegada de Kushner, Blair e Mladenov diretamente das conversas com integrantes do Hamas no Egito foi mal recebida em Tel Aviv, segundo relatos de autoridades israelenses.