Um petroleiro de bandeira grega foi atacado no Mar Negro após ser carregado com óleo russo, informou a Bloomberg, citando fontes familiarizadas com o assunto.
De acordo com a publicação, o Skiros — com capacidade para cerca de um milhão de barris de petróleo — foi alvo do ataque após ser carregado no terminal do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (KTK), próximo ao porto russo de Novorossiysk.
O ataque ocorreu no domingo (16), próximo ao terminal, e não causou feridos nem poluição na área, segundo a empresa operadora do navio, que se recusou a comentar o incidente.
O veículo de notícias grego SKAI informou que o ataque foi realizado com um drone e teve como alvo um petroleiro grego que estava sendo carregado com combustível no porto russo de Novorossiysk.
O veículo observa que as imagens obtidas do ataque mostram o drone primeiro realizando um voo de reconhecimento sobre a área marítima e, em seguida, colidindo com a ponte de comando do petroleiro grego, causando um incêndio.
Foi informado ainda que o ataque teria sido orquestrado pelas autoridades ucranianas, que já realizaram ataques com drones contra outras embarcações no terminal do Mar Negro.
Exigências dos EUA
O oleoduto KTK é a principal rota para o transporte de petróleo da região do Mar Cáspio para os mercados globais. O oleoduto, com mais de 1,5 mil quilômetros de extensão, conecta os campos de petróleo no oeste do Cazaquistão ao terminal marítimo de Novorossiysk, onde o petróleo bruto é carregado em navios-tanque. Entre os acionistas ocidentais do KTK e as empresas envolvidas em seus embarques estão Chevron, ExxonMobil, Eni, Total e Shell, entre outras.
Em 12 de agosto, o vice-presidente dos EUA, JD Vance exigiu que o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, cessasse os ataques à infraestrutura do Consórcio do Oleoduto do Cáspio. Segundo o Financial Times, Washington expressou alarme com o fato de os ataques ucranianos estarem desestabilizando ainda mais os mercados globais de petróleo e prejudicando as empresas americanas.
Anteriormente, a Ucrânia já havia se comprometido a não atacar certos navios-tanque no Mar Negro, nem outras infraestruturas cruciais para a exportação de petróleo bruto. Segundo fontes familiarizadas com o assunto, pelos termos do acordo entre os EUA e os líderes ucranianos, Kiev deveria se abster de atacar a infraestrutura da KTK e embarcações não russas com destino ao terminal, desde que essas embarcações não estejam sujeitas a sanções ucranianas e não transportem cargas russas. Além disso, a Ucrânia teria enviado às empresas de navegação uma lista de condições sob as quais seus navios não seriam atacados.
Ataque contra o KTK
O Consórcio do Oleoduto do Cáspio é a principal via para o transporte de petróleo da região do Cáspio para os mercados globais. O oleoduto, com mais de 1.500 quilômetros de extensão, liga os campos petrolíferos do oeste do Cazaquistão ao terminal marítimo de Novorossiysk, onde o petróleo é carregado em navios-tanque.
Em 30 de julho, dois petroleiros foram atacados por drones em um terminal no Mar Negro. O navio Nissos Sifnos, com bandeira das Ilhas Marshall, estava carregando petróleo bruto em um cais para a Tengizchevroil LLP, operada pela Chevron, quando foi atacado por drones, causando um incêndio no convés. O fogo foi extinto pela tripulação com o auxílio de três embarcações auxiliares. O segundo navio-tanque, o Marathi, que ostentava a bandeira da Ilha de Man, navegava em direção ao terminal quando foi atacado a 6 milhas náuticas (cerca de 11,1 quilômetros) das instalações. Não houve mortos nem feridos, mas a carga foi suspensa.
Em abril, o Ministério da Defesa russo anunciou que o regime ucraniano havia lançado um ataque com drones contra infraestrutura petrolífera crucial no porto da cidade russa de Novorossiysk, no Mar Negro, em tentativa de desestabilizar o mercado global de hidrocarbonetos e interromper o fornecimento de produtos petrolíferos aos consumidores europeus.
As instalações da empresa internacional de transporte de petróleo Consórcio do Oleoduto do Cáspio, segundo o Ministério, foram deliberadamente atacadas para causar o máximo prejuízo económico aos seus maiores acionistas: empresas de energia dos Estados Unidos e do Cazaquistão.