Pablo Silva Santiago, servidor federal investigado por gravar mulheres sem autorização, continuou a aparecer nos registros de pagamentos do governo durante o período em que esteve preso preventivamente. Dados disponíveis no Portal da Transparência indicam que ele recebeu aproximadamente R$ 34,7 mil entre janeiro e junho de 2026.
Os valores registrados incluem os pagamentos mensais feitos ao servidor e chegaram a cerca de R$ 7,7 mil em junho, quando também houve o lançamento relacionado à gratificação natalina. O Portal da Transparência identifica Santiago como servidor do governo federal e vinculado ao Ministério da Cultura.
Santiago foi preso preventivamente em 21 de maio de 2025, após uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal. Segundo a apuração policial, ele teria instalado câmeras em banheiros e outros locais para registrar mulheres sem consentimento. Mais de mil arquivos foram encontrados em dispositivos apreendidos pelos investigadores.
A investigação também apontou que parte do material era compartilhada em grupos e utilizada para obter outros conteúdos pornográficos. Entre os arquivos e relatos analisados pelos investigadores estavam referências a vídeos de necrofilia.
Pagamentos durante a prisão
A existência dos pagamentos durante o período de prisão chama atenção porque a legislação que rege os servidores públicos federais estabelece regras específicas para situações de privação de liberdade.
A Lei nº 8.112/1990 prevê, no artigo 229, o pagamento de auxílio-reclusão aos dependentes de servidor ativo quando ele é afastado em razão de prisão em flagrante ou preventiva. O texto estabelece o benefício em dois terços da remuneração enquanto durar a prisão e prevê a integralização caso o servidor seja absolvido.
Orientações administrativas do governo federal também indicam que a prisão preventiva pode resultar na suspensão da remuneração do próprio servidor durante o período em que ele estiver privado de liberdade. Em nota técnica publicada no sistema oficial de legislação do governo, a administração federal registra o entendimento de que a prisão preventiva conduz à suspensão da remuneração, benefícios, adicionais e auxílios do servidor.
Por isso, os valores registrados no Portal da Transparência não significam, por si só, que Santiago tenha recebido regularmente todas as parcelas como se estivesse em exercício. O detalhamento da folha é necessário para identificar a natureza de cada pagamento e eventual acerto posterior.