O julgamento pela morte de Diego Armando Maradona ganhou um novo ponto de discussão na terça-feira (18), depois que a defesa de uma das acusadas questionou a origem de exames considerados pela Junta Médica que analisou o caso, informou o Clarín.
Os advogados de Nancy Forlini pediram a realização de diligências para verificar se documentos médicos atribuídos ao ex-jogador pertenciam, na realidade, ao pai dele, também chamado Diego Armando Maradona.
A questão surgiu durante o depoimento do nefrologista Hernán Trimarchi, integrante da Junta Médica. Segundo a defesa, exames realizados em 3 de maio de 2015 estavam registrados em nome de Diego Armando Maradona, mas apresentavam um número de associado diferente daquele usado pelo ex-jogador.
Os advogados sustentaram ainda que Maradona estava em Dubai naquele período. "Não verifiquei o número de associado, apenas verifiquei o nome e o sobrenome da pessoa e presumo que o resultado seja do paciente que estou analisando", afirmou Trimarchi.
Diante da divergência, a defesa de Forlini solicitou que sejam obtidos registros das entradas e saídas de Maradona da Argentina e informações sobre os números de associado dos integrantes da família.
A medida busca esclarecer se os exames considerados durante a avaliação médica eram efetivamente do ex-jogador. Durante o mesmo depoimento, Trimarchi afirmou que Maradona "tinha uma doença renal crônica" e disse ter identificado alterações descritas na autópsia.
Depoimentos abordam coração, rins e medicamentos
O toxicologista Carlos Damin, atual diretor do Hospital Fernández e também integrante da Junta Médica, declarou que Maradona apresentava fatores de risco relacionados ao histórico de consumo de cocaína e álcool.
"Foi um coração submetido a chicotadas", afirmou. Segundo ele, durante o período em que Maradona permaneceu em uma casa no bairro privado San Andrés, em Benavídez, "faltava um cardiologista responsável" pelo acompanhamento do paciente.
Damin classificou o atendimento como insuficiente e afirmou que a ausência de determinados controles poderia ter dificultado a identificação de uma insuficiência cardíaca.
"Foi uma internação deficiente", declarou. O médico também disse que Maradona recebia vários psicofármacos durante o tratamento para abstinência de álcool e que exames laboratoriais poderiam ter sido utilizados para acompanhar os efeitos da combinação.
"Eram sete medicamentos ao mesmo tempo", disse, acrescentando que as doses prescritas estavam adequadas.
Trimarchi também tratou do uso de ketorolac, analgésico e anti-inflamatório administrado a Maradona. "Era um medicamento que o paciente não deveria ter recebido porque, em um paciente com doenças crônicas, é contraindicado, já que reduz o oxigênio para o rim", afirmou.
Durante a audiência, a acusação reproduziu um áudio de 11 de novembro de 2020 no qual Forlini orientava a administração do medicamento três vezes ao dia: "Avancem para dar ketorolac para aliviar a dor".
- Os depoimentos fazem parte do processo que apura a assistência prestada a Maradona entre sua saída da Clínica Olivos e sua morte, em 25 de novembro de 2020. Cinco acusados acompanharam a audiência, entre eles o neurocirurgião Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov, o psicólogo Carlos Díaz, Nancy Forlini e o médico Pedro Di Spagna. Jana e Gianinna Maradona também estiveram presentes.