As Forças de Defesa de Israel (IDF) reconheceram, pela primeira vez, que soldados israelenses abriram fogo contra o veículo em que estava Hind Rajab, menina palestina de 5 anos morta na Faixa de Gaza em janeiro de 2024. Segundo a Reuters, o Exército também determinou a abertura de uma investigação criminal sobre o episódio.
A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (19), após uma análise realizada pelo mecanismo de investigação e avaliação do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses. O órgão examinou cerca de 150 incidentes considerados excepcionais desde o início da guerra em Gaza e encaminhou suas conclusões ao advogado-geral militar.
Segundo a IDF, a análise do caso de Hind indicou que tropas israelenses dispararam contra um veículo que se aproximava de suas posições. O Exército também apontou supostas falhas na coordenação do deslocamento da ambulância enviada pelo Crescente Vermelho Palestino para resgatar a menina.
Diante das conclusões, a Divisão de Investigação Criminal da Polícia Militar de Israel foi acionada para investigar o caso. A abertura do procedimento representa uma mudança em relação à versão apresentada anteriormente pelas próprias Forças de Defesa de Israel, que haviam afirmado que suas tropas não estavam próximas do carro nem tinham alcance para disparar contra o veículo.
Menina ficou presa no carro
Hind estava em um veículo com familiares quando o grupo foi atingido por disparos em Gaza. A menina sobreviveu ao primeiro ataque, mas ficou presa dentro do automóvel ao lado dos parentes mortos.
Durante horas, Hind manteve contato telefônico com integrantes do Crescente Vermelho e pediu que uma equipe fosse enviada para retirá-la do local. O áudio dos pedidos de socorro ganhou repercussão internacional e se tornou um dos elementos mais conhecidos do caso.
Uma ambulância foi posteriormente enviada para tentar resgatá-la. A equipe, porém, também foi atingida. Hind e dois socorristas morreram no episódio. Os corpos foram encontrados dias depois, quando foi possível chegar ao local.
O caso provocou críticas internacionais e levou organizações e veículos de comunicação a realizar investigações independentes sobre a presença de forças israelenses na região no momento dos disparos.