
'Trans de Direita' do partido de Bolsonaro critica programas sociais dos quais recebe benefícios

A candidata a deputada federal por São Paulo Sophia Barclay (PL), conhecida nas redes sociais como "Trans de Direita", critica o Bolsa Família e o Gás do Povo, mas consta como beneficiária dos dois programas. Embora afirme que já não vive em situação de vulnerabilidade, seu cadastro no Gás do Povo está vigente até 9 de outubro de 2026. A informação foi publicada pelo jornal O Globo nesta quarta-feira (19).
Dados do Portal da Transparência mostram que Barclay começou a receber o Bolsa Família em maio de 2018, aos 18 anos, quando morava no Rio de Janeiro. Com exceção de 2024, houve pagamentos ao longo dos últimos oito anos. Em 2025, ela recebeu R$ 6 mil do Novo Bolsa Família.
Neste ano, também há registro de benefício do Gás do Povo em seu nome. Os dados apontam recebimento em março e cadastro com vigência de 10 de julho a 9 de outubro. Somados, os pagamentos dos programas ultrapassam R$ 23 mil.
Críticas aos programas

As críticas de Barclay aos programas sociais passaram a aparecer principalmente a partir de 2025, quando ela começou a produzir conteúdo político alinhado à direita. Em setembro daquele ano, ao comentar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, atacou beneficiários do Bolsa Família.
"Vocês que estão comemorando essa injustiça só mostram que gostam de viver na extrema miséria, porque é nisso que vocês vivem. (...) Vá por mim: tem gente que merece mesmo viver apenas de Bolsa Família e se contentar com pouco. Bando de porco", escreveu no X.
Em outubro de 2025, Barclay também criticou o Gás do Povo e afirmou que o governo Lula tinha o objetivo de "manter o povo na miséria". "Já é o 5º mandato do PT e o pobre ainda precisa de auxílio para comprar gás?", questionou. Em julho deste ano, voltou a questionar a política de distribuição de gás de cozinha em um vídeo no Instagram.
Defesa da candidata
Barclay afirmou que recebeu assistência social durante um período de vulnerabilidade. Segundo a candidata, ela foi expulsa de casa aos 16 anos, precisou da ajuda de terceiros e utilizava os benefícios para custear necessidades básicas.
"Não tenho vergonha alguma dessa parte da minha história. Pelo contrário: ela faz parte da pessoa que me tornei e também ajuda a explicar por que tenho posições tão firmes sobre políticas públicas e sobre a necessidade de o Estado oferecer oportunidades reais para que as pessoas possam superar situações de vulnerabilidade", afirmou.
A candidata sustenta que criticar determinados programas ou a forma como são conduzidos não significa ser contra a assistência social. "Minha crítica política a determinados benefícios ou à maneira como determinadas políticas são conduzidas não apaga o fato de que, em determinado momento da minha vida, eu precisei desse tipo de auxílio", disse.
Barclay também afirma que atualmente não vive mais em situação de vulnerabilidade e rejeita a existência de uma contradição entre seu histórico como beneficiária e suas posições políticas — ainda que seu cadastro no Gás do Povo continua registrado como vigente.

