Rússia condena glorificação de Kiev a colaborador de Hitler

Moscou também criticou a conivência europeia diante da prática cada vez mais comum de exumar “líderes do nacionalismo agressivo e seguidores nazistas” para enterrá-los com honras na Ucrânia.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, denunciou nesta quinta-feira (20) a glorificação e a reabilitação histórica do nacionalismo radical por parte do regime de Kiev. As declarações foram feitas após as cerimônias de comemoração e reenterro de Yevgeny Konovalets, primeiro líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)*, entidade colaboracionista do Terceiro Reich e responsável por assassinatos em massa por razões étnicas de poloneses, judeus e ucranianos durante a Segunda Guerra Mundial.

"Nos dizem que agora não há nazistas na Ucrânia. Ora, eles estão lá, são muitos e estão no poder. Mas não por muito tempo", afirmou a diplomata.

Zakharova lembrou que, após a exumação de Konovalets nos Países Baixos, em 11 de agosto, que contou com permissão e apoio das autoridades locais, seus restos mortais foram recebidos na Ucrânia com honras estatais e militares.

Rituais com tochas ao estilo do Terceiro Reich

A diplomata destacou especialmente a cerimônia noturna em homenagem a Konovalets, realizada em Kiev na última sexta-feira (14), na qual militares das Forças Armadas e representantes da Escola Militar Konovalets formaram uma fileira com tochas.

Zakhrova traçou um "paralelo histórico sinistro" e lembrou que as marchas noturnas com tochas eram "um dos elementos mais reconhecíveis dos rituais de massa e da estética propagandística do regime hitleriano", como o desfile de 30 de janeiro de 1933, quando os nazistas comemoraram a nomeação de Hitler como chanceler do Reich.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores destacou que o regime de Kiev planeja transferir os restos mortais de Konovalets e de outros nacionalistas ucranianos para o chamado "panteão dos heróis nacionais", cuja criação é promovida por Vladimir Zelensky. Dessa forma, Kiev pretende realizar a "reabilitação histórica do nacionalismo radical" e estabelecer uma continuidade ideológica direta entre a OUN* e as atuais formações armadas do país, denunciou ela.

Conivência da Europa

Diante dessa situação, Zakharova enfatizou que os casos de exumação de restos mortais de "líderes do nacionalismo agressivo ucraniano e sequazes nazistas, para seu posterior e solene reenterro na Ucrânia" estão se tornando cada vez mais frequentes na Europa.

A diplomata alertou que, para Moscou, esses atos são "como um apagamento flagrante da memória histórica e uma conivência com a reabilitação de pessoas que se mancharam com os crimes mais monstruosos e com a colaboração com o regime nazista".

*Classificada na Rússia como organização extremista