Após a Agência Nacional do Cinema (Ancine) ter aberto um processo administrativo contra a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo longa 'Dark Horse', a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsobnaro, a Polícia Federal (PF) solicitou à Agência informações sobre o andamento do processo que apura irregularidades na gravação do longa, informou o portal g1 na sexta-feira (21).
A Ancine teria autuado a Go Up Entertainment em 28 de julho por esta não ter informado à Agência que uma produção internacional estava sendo gravada em território brasileiro, como prevê a legislação, além de exigir que seja apresentada a documentação do filme. Apesar de contar a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, Dark Horse é uma produção americana gravada em língua inglesa e com elenco estrangeiro.
A agência tem agora dez dias para informar formalmente a PF sobre o andamento do processo administrativo.
A produção do filme virou alvo de polêmica e ensejou a abertura de uma investigação depois que, em 13 de maio, o The Intercept Brasil divulgou um áudio em que o ex-senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro cobrava dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento de Dark Horse apenas um dia antes de este ser preso no âmbito da operação Compliance Zero. A reportagem afirma que conversas entre Vorcaro, seu cunhado, Fabiano Zettel, e o empresário Thiago Miranda previam o pagamento de R$ 134 milhões para a produção do longa. Efetivamente, apenas R$ 61 milhões foram transferidos por Vorcaro.
A Polícia Federal investiga também se os valores destinados ao custeio da obra cinematográfica teriam sido desviados para pagar as despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos EUA, pois o dinheiro de Vorcaro foi transferido para o fundo Heavengate Development, que tem como agente legal o escritório "Law Offices of Paulo Calixto PLLC", de Paulo Calixto - advogado de Eduardo.