País membro da OTAN está à beira de crise alimentar

Organizações agrícolas estão solicitando ao governo empréstimos sem juros para financiar o plantio de trigo e cevada no outono.

A agricultura britânica está à beira do colapso e a produção de alimentos do próximo ano já está em risco, alertaram mais de uma dezena de organizações de agricultores, pedindo ação urgente do governo, segundo reportagem do The Telegraph.

Após a pior colheita desde o início dos registros, em 1984, e um aumento acentuado na mortalidade do gado, muitos produtores afirmam não ter dinheiro para plantar as safras do próximo ano ou repor seu rebanho.

Tom Bradshaw, presidente da União Nacional dos Agricultores (NFU, na sigla em inglês), descreveu a situação como "uma crise imediata de liquidez e confiança": as chuvas chegaram tarde demais para salvar as plantações e reduziram ainda mais a produtividade, enquanto os agricultores enfrentam o pior surto de língua azul já registrado no país, doença que causa infertilidade e morte em ovelhas e que teve um aumento expressivo este ano devido à onda de calor e à proliferação de mosquitos transmissores do vírus. Mais de 500 casos foram detectados, principalmente no sudoeste da Inglaterra.

"Menor produtividade já registrada"

Esse golpe é agravado pelo aumento do custo de insumos essenciais. O fertilizante, em parte importado pelo Estreito de Ormuz, está custando atualmente cerca de US$ 627 por tonelada. A guerra no Irã estrangulou o fornecimento e elevou os preços, justamente quando os agricultores estão recebendo pouco pelos grãos devido à má colheita e também enfrentam o alto custo do diesel agrícola.

A NFU (União Nacional dos Agricultores) e outras organizações estão pedindo ao governo para que conceda empréstimos sem juros vinculados às perdas causadas pela seca para financiar a semeadura de trigo e cevada no outono, bem como ajuda para cobrir os custos do recolhimento e eliminação de animais mortos.

O agricultor Clive Bailye, que no ano passado liderou os protestos contra um imposto sobre heranças em explorações agrícolas familiares, foi ainda mais enfático: "A seca nos deixou com as colheitas mais baixas de que há registo. Os produtores estão semeando as culturas do próximo ano sabendo que vão perder dinheiro, e o imposto sobre heranças continua a pairar sobre todas as produções agrícolas familiares. Os agricultores britânicos já enfrentaram eventos climáticos extremos antes, mas nunca num ambiente político e econômico tão hostil como este."