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'Clube das nações ricas' está se rearmando: quem está no topo dos gastos militares?

Com os orçamentos de defesa já crescendo mais rápido do que a riqueza nacional, a maioria das economias desenvolvidas enfrenta um aumento nos gastos militares sem precedentes desde o fim da Guerra Fria.
'Clube das nações ricas' está se rearmando: quem está no topo dos gastos militares?Gettyimages.ru

O aumento das tensões geopolíticas globais impulsionou um crescimento generalizado dos gastos militares nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, composta por 38 membros), o chamado "clube dos países ricos". Segundo a organização, os orçamentos de defesa estão crescendo mais rapidamente do que a renda nacional, atingindo níveis de participação na economia não vistos desde o fim da Guerra Fria.

Para refletir essa tendência, a OCDE compara os gastos médios do período de 2015 a 2022 com dados consolidados para 2025 expressos como percentual do Produto Interno Bruto (PIB), o indicador macroeconômico que mede o valor de todos os bens e serviços produzidos por um país em um ano.

Mapa global de rearmamento

As economias mais expostas à instabilidade geopolítica lideram essa tendência.

Em contrapartida, economias como as do Chile, dos Estados Unidos, da Turquia e da Austrália reduziram ligeiramente a proporção de sua riqueza destinada à defesa em comparação com suas médias históricas. Mesmo assim, os EUA continuam liderando o mundo em gastos militares em termos absolutos.

O dilema fiscal: equilibrando defesa e bem-estar

Sustentar esse aumento de gastos representa um desafio para as finanças públicas, que já estão sobrecarregadas por altos níveis de endividamento. Com o objetivo de cumprir o compromisso da OTAN de alocar 3,5% do PIB para a "defesa essencial" até 2035 — ou seja, investimento direto em armamentos, equipamentos militares e tropas — 17 países da União Europeia ativaram as chamadas "cláusulas de escape".

Essas são autorizações legais extraordinárias que permitem aos governos exceder temporariamente os limites permitidos para déficit e dívida pública a fim de atender a prioridades urgentes. No entanto, uma vez expiradas essas exceções, os Estados enfrentarão a necessidade de:

  • Aumentar a carga tributária por meio de aumentos de impostos,
  • ou implementar cortes de gastos em setores como educação, saúde e transição verde.

O paradoxo do retorno: por que as armas não criam riqueza

Por outro lado, a OCDE alerta que o retorno econômico dos gastos com defesa é limitado, com um "multiplicador fiscal" estimado entre 0,6 e 1.

Na prática, isso significa que cada euro gasto no setor militar gera menos de um euro de crescimento real na economia nacional.

Esse desempenho se deve principalmente ao que se conhece como "vazamento de importações": muitos países não fabricam seus próprios sistemas de defesa avançados e adquirem os equipamentos de fornecedores estrangeiros.

A longo prazo, a OCDE destaca que esse investimento só se traduzirá em benefícios para a atividade civil se gerar "efeitos de transbordamento tecnológico" — ou seja, inovações inicialmente desenvolvidas para o setor militar, mas que acabam sendo aplicadas no cotidiano, como historicamente ocorreu com tecnologias como o GPS ou a internet.