O primeiro debate presidencial de 2026, realizado pela Band no domingo (23), teve os púlpitos de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) vazios.
A ausência dos candidatos dominou parte do encontro e abriu espaço para provocações, críticas e até uma encenação com fraldas geriátricas.
O momento mais inusitado veio de Renan Santos (Missão), que levou ao estúdio fraldas com os nomes de Lula e Flávio.
O candidato chegou a se dirigir aos púlpitos vazios e, em tom de deboche, afirmou ter tido um "lapso".
A provocação evoluiu para ataques diretos aos dois ausentes.
"Vou apresentar as fraldas deles aqui, ambos deveriam ter vindo com elas. Dois fracassados, dois medrosos, Lula e Flávio Bolsonaro dois criminosos que fazem negócio com o crime organizado [...] quero deixar bem claro que esses caras estão fugindo do debate e alegaram que não estão vindo por minha causa", disse Renan.
Quando questionado sobre a ausência de Romeu Zema, o candidato afirmou que não se lembrava da existência dele.
Agressividade
O tom adotado por Renan provocou uma reação de Augusto Cury (Avante), que fez uma crítica direta à postura do adversário.
"Você tem um nível de agressividade que me assombra", afirmou Cury.
Na avaliação do candidato, o debate político precisa preservar a capacidade de os eleitores formarem suas próprias opiniões.
"As ideias podem ter fundamento, mas a agressividade asfixia a capacidade das pessoas terem as suas próprias opiniões. Nós estamos numa democracia", disse.
Cury ainda afirmou que é possível fazer críticas a Lula sem "transformar a pessoa numa escória humana".
Jornalista "desrespeitada"
A ausência também foi questionada pela apresentadora Paula Valdez, que criticou a decisão de Lula, Flávio e Zema de não comparecerem.
"Eu me sinto, como jornalista, completamente desrespeitada por esses candidatos, porque é trabalho", afirmou.
Ela lembrou que a preparação para o debate envolveu reuniões com as equipes das campanhas desde o início do ano para definir as regras do encontro.