O Brasil não deve conseguir reverter até 3 de setembro a suspensão das exportações de carne bovina e de frango para a União Europeia (UE). A informação foi publicada nesta segunda-feira (24) pelo portal Poder360.
O bloco retirou o país da lista de exportadores autorizados por considerar insuficientes as garantias sobre o uso de antimicrobianos na criação de animais.
O Ministério da Agricultura apresentou protocolos e recebeu técnicos europeus para auditorias em setores como frango e mel. A tentativa é recuperar ao menos a autorização para exportar aves, mas a reversão é considerada pouco provável.
Para a carne bovina, o cenário é mais difícil. Como o ciclo de criação do gado supera dois anos, o prazo europeu é considerado insuficiente para avaliar o uso de antimicrobianos. Já o ciclo mais curto das aves permite uma eventual solução mais rápida.
Restrição
A UE anunciou a medida em 12 de maio, oficializou a decisão em 5 de junho e estabeleceu 3 de setembro como data para sua entrada em vigor. Além de bovinos e aves, a restrição atinge tripas, peixe e mel.
A UE proíbe antimicrobianos para estimular crescimento ou aumentar o rendimento dos animais, alegando preocupação com a resistência de microrganismos aos medicamentos.
Apesar das justificativas sanitárias, a restrição também atende aos interesses do setor agropecuário europeu. Contrários ao polêmico acordo entre Mercosul e União Europeia, produtores do bloco temem que os produtos brasileiros afetem os ganhos locais.
Novos mercados
Diante do impasse, o Brasil busca ampliar as exportações para Japão e Coreia do Sul, além de negociar com China e Canadá.
Os setores afetados exportaram US$ 2,026 bilhões para a UE em 2025. Desse total, US$ 1,064 bilhão veio da carne bovina e US$ 781,4 milhões da carne de aves.
Em junho, Lula discutiu as restrições com autoridades europeias durante o G7. Brasil e UE acertaram um mecanismo bilateral para tratar dos entraves às exportações de produtos de origem animal.