Agricultores do chamado Cinturão do Milho (Corn Belt), afirmam estar enfrentando a pior crise em quatro décadas devido ao aumento acentuado dos custos do diesel e dos fertilizantes, desencadeado pela guerra comercial entre os EUA e o Irã, informou o Financial Times nesta terça-feira (25), citando representantes do setor.
"Os custos dos insumos estão completamente fora de controle", disse Matt Bailey, produtor de milho e soja no leste do Nebraska.
Ele explicou que o fertilizante rico em fósforo 11-52-0, usado no plantio, custava US$ 470 por tonelada há 10 anos e agora ultrapassa os US$ 900. John Hansen, presidente da União dos Agricultores de Nebraska, descreveu a situação como "a pior crise financeira do setor desde a década de 1980".
Um estudo da Federação Americana de Escritórios Agrícolas estima que, sem ajuda governamental, os produtores de nove culturas principais perderão US$ 31 bilhões este ano e outros US$ 32 bilhões em 2027.
A guerra no Irã agravou as dificuldades, elevando os preços dos combustíveis e interrompendo o fornecimento global de fertilizantes, enquanto o tráfego mais lento pelo Estreito de Ormuz encareceu o diesel. O preço médio nacional nos EUA subiu para US$ 5,45 por galão (cerca de US$ 1,44 ou R$ 7,43 por litro), contra US$ 3,81 antes da guerra, segundo a Administração de Informação de Energia.
Os agricultores também apontam para o impacto das guerras comerciais de Trump, que prejudicaram as exportações agrícolas americanas, especialmente as vendas de soja para a China.
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"A guerra [com o Irã] gerou muita incerteza para nós, agricultores", disse Pam Johnson, agricultora de Iowa e ex-presidente da Associação Nacional de Produtores de Milho.
Esses problemas são agravados pelo aumento das taxas de juros, dos custos de mão de obra e do preço dos equipamentos agrícolas, além da seca e das condições climáticas extremas em partes do Cinturão do Milho.
A combinação de altos custos e condições climáticas adversas está reduzindo as expectativas de colheita e elevando os preços do milho. Os problemas dos agricultores também podem ser repassados aos consumidores: "Isso certamente significará preços mais altos", alertou Brian Choi, diretor executivo do Instituto de Alimentos.