Jovens chinesas estão pintando os pelos do sovaco e desafiam estigma com nova tendência

A tendência tem ganhado espaço nas redes sociais; estudiosos indicam que o estigma "anti-pelos" foi importado do Ocidente.

Garotas da China estão tingindo os pelos das axilas com cores chamativas, transformando uma característica antes estigmatizada em tendência de moda e expressão de autonomia corporal.

A informação foi publicada pelo portal South China Morning Post no sábado (22).

Na RedNote, plataforma de estilo de vida popular no país, usuárias exibem pelos tingidos, inclusive de azul, e publicam tutoriais de descoloração e aplicação de tintura.

Há também relatos sobre riscos como irritação da pele e desbotamento rápido.

Xiaokui, nome fictício de uma jovem citada pelo veículo chinês 36Kr, contou que passou a se incomodar com os pelos ainda na escola primária, depois que uma amiga questionou o crescimento deles.

A situação reforçou sua percepção de que eram "pouco atraentes, sujos e malcheirosos". 

Relatos pessoais

Ela passou anos depilando as axilas, até ver uma influenciadora com as axilas tingidas de rosa-pitaya.

Xiaokui então tingiu os próprios pelos de loiro e publicou o resultado na internet, onde recebeu elogios de amigos e disse ter ganhado confiança em relação ao próprio corpo.

Outra moça, Shanshan, decidiu tingir os pelos de amarelo depois de ver Lady Gaga com as axilas verdes.

A cantora havia chamado atenção com o visual em 2011. Segundo relatos, Shanshan fez três tingimentos e, a cada um, sentiu-se mais próxima de aceitar seu próprio corpo.

O estigma em torno dos pelos das axilas é relativamente recente na China. O pensamento confucionista tradicional sustenta que "o corpo é recebido dos pais" e desencoraja alterações feitas sem necessidade, enquanto pinturas da dinastia Song (960–1279) retratavam mulheres com as axilas visivelmente peludas.

Origem do estigma

Pelos nas axilas também apareceram no cinema. Em Lust, Caution, de Ang Lee, Tang Wei surge de um vestido tradicional chinês com os pelos naturais.

Para reproduzir os padrões de beleza da Xangai dos anos 1930, a atriz teria deixado os pelos crescerem por oito meses antes das filmagens.

Alguns estudiosos de cultura sugerem que a "vergonha dos pelos das axilas" na China teria sido importada.

Com a expansão de filmes, programas de televisão e revistas de moda ocidentais no país nas décadas de 1980 e 1990, ganhou força um ideal de feminilidade associado à pele lisa e sem pelos, reforçado por anúncios de lâminas e outros produtos depilatórios.

"Body positive"

Nos últimos anos, o movimento global de "body positive" ["positividade corporal"] ampliou a aceitação de características naturais, enquanto as redes sociais chinesas intensificaram as discussões sobre autonomia corporal.

Como resumiu um observador online: "Tingir os pelos das axilas nunca foi sobre 'vergonha', mas sobre 'escolha'. Algumas removem, algumas mantêm e algumas tingem. No fim, a aparência das axilas de uma mulher deve ser decisão dela."