Um juiz federal dos Estados Unidos rejeitou o pedido de Ghislaine Maxwell para anular sua condenação e a pena de 20 anos de prisão por ajudar o criminoso Jeffrey Epstein no recrutamento visando abusar sexualmente de adolescentes. A informação foi publicada pela Reuters nesta terça-feira (25).
O juiz distrital Paul Engelmayer, de Manhattan, afirmou que todas as alegações de Maxwell eram sem mérito e que todas ou quase todas eram frívolas. Segundo ele, a maior parte retomava argumentos que ela já havia perdido ou deixado de apresentar ao contestar a condenação de dezembro de 2021.
Engelmayer também declarou que grande parte das provas apresentadas como "novas", divulgadas neste ano pela Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, era irrelevante. Segundo o juiz, quando relevantes, os documentos "longe de inocentá-la, a incriminam ou reforçam a correção das decisões jurídicas que Maxwell contesta".
Nova tentativa
Maxwell buscava um habeas corpus que declarasse sua punição ilegal. O pedido foi a tentativa mais ampla da ex-socialite britânica e ex-companheira de Epstein de reverter sua condenação.
Um júri considerou Maxwell culpada em cinco acusações por recrutar e preparar meninas menores de idade para serem abusadas por Epstein entre 1994 e 2004. Em uma contestação anterior, ela se apoiou no acordo de não persecução firmado com Epstein, argumento rejeitado pela Suprema Corte dos Estados Unidos em outubro de 2025.
Promotores afirmaram que as novas alegações eram infundadas, haviam sido apresentadas fora do prazo ou não demonstravam que o julgamento foi injusto.
Argumentos de Maxwell
Maxwell alegou que documentos divulgados neste ano mostravam que advogados de acusadoras de Epstein atuaram como "promotores de fato e agentes do governo". Também disse que os promotores não conduziram uma investigação própria efetiva.
Entre os argumentos, ela citou a falta de uma entrevista com Leslie Wexner, bilionário do varejo ligado à Victoria's Secret que contratou Epstein para administrar suas finanças pessoais. Wexner, de 88 anos, disse ao Congresso em fevereiro que rompeu com Epstein em 2007 e que desconhecia seus crimes.
Maxwell também questionou supostas lacunas em depoimentos de testemunhas e acusou o governo de suprimir um possível testemunho exculpatório de um detetive da polícia de Palm Beach, na Flórida, perante um grande júri, relacionado a uma mesa de massagem verde na propriedade de Epstein.
Recurso
Engelmayer classificou ainda como "conclusiva, cínica e errada" a alegação de Maxwell de que os promotores esconderam ilegalmente algumas provas. Como ela se representou no processo, o juiz afirmou que um recurso "não seria apresentado de boa-fé" e que o tribunal não pagaria as taxas caso ela declarasse não ter condições financeiras.
Maxwell está presa em um campo penitenciário federal de segurança mínima em Bryan, no Texas, e poderá ser libertada em julho de 2037, quando terá 75 anos.
- Epstein morreu aos 66 anos em uma cela em Manhattan, em agosto de 2019, cinco semanas após ser preso sob acusações de tráfico sexual. O legista-chefe da cidade de Nova York classificou a morte como suicídio.