A política externa e o posicionamento geopolítico do Brasil no cenário internacional dividem as diretrizes dos principais candidatos à Presidência da República para as eleições de 2026.
Os programas de governo apresentam divergências sobre a permanência do país em blocos multilaterais emergentes como o BRICS, a aproximação com a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e o papel da diplomacia na atração de investimentos e no comércio exterior.
Abaixo, a RT Brasil separou, com base nos planos de governo declarados à Justiça Eleitoral, as propostas de política externa dos presidenciáveis.
A ordem foi definida de acordo com a posição dos candidatos nas pesquisas eleitorais registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O programa do atual presidente, que busca reeleição, defende a continuidade de um projeto voltado ao fortalecimento da soberania nacional, à transição ecológica e ao protagonismo geopolítico do Brasil.
O documento analisa os impactos ao redor do mundo devido ao conflito ucraniano, como a alta nos preços de alimentos e combustíveis, por exemplo.
No texto, o plano também defende a segurança alimentar e energética, defendendo a autonomia de decisão do país frente a disputas entre grandes potências.
A atuação internacional foca na multipolaridade, na rejeição a ordens globais predatórias, no fortalecimento da cooperação Sul-Sul e na integração pan-amazônica por meio da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).
Os princípios apresentados alinham-se, inclusive, às pautas do BRICS.
Flávio Bolsonaro (PL)
A plataforma liberal-conservadora, liderada pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), prioriza a desideologização da política externa e a adoção de um pragmatismo comercial focado na abertura de mercados e na inserção do Brasil em cadeias globais de valor.
A principal meta diplomática do plano é a adesão do país à OCDE para atrair investimentos externos. O programa estabelece a criação do Sistema Nacional de Fronteiras, envolvendo a atuação de tropas das Forças Armadas em portos e aeroportos, para combater o tráfego de armas e drogas.
O documento não faz menção direta ao grupo BRICS.
Ronaldo Caiado (PSD)
O programa prevê uma atuação internacional pautada pelo pragmatismo sem alinhamentos automáticos ou "antagonismos gratuitos".
O plano critica o uso ideológico do Ministério das Relações Exteriores e o protecionismo ambiental praticado por países centrais contra o agronegócio brasileiro.
Entre as propostas concretas, destaca-se a criação da SULPOL, uma agência de cooperação policial com países da América do Sul para o combate ao crime transnacional nas fronteiras.
Renan Santos (Missão)
O projeto propõe que o Brasil atue como "árbitro do Sul Global" e exerça liderança sobre a América Latina, auxiliando países vizinhos no combate ao narcotráfico.
A meta diplomática é inserir o país nas discussões com as grandes potências mundiais, alicerçando a economia externa na exportação de produtos agrícolas, tecnologia em inteligência artificial e bens culturais.
Romeu Zema (Novo)
O plano do ex-governador de Minas Gerais estabelece como proposta central a saída diplomática do Brasil do BRICS, mantendo contudo as relações comerciais com os países integrantes do bloco. O programa propõe alinhar o país às "democracias e aos mercados globais", estabelecendo a retomada do processo de entrada na OCDE.
No âmbito regional, defende a transformação do Mercosul de união aduaneira para zona de livre comércio, permitindo negociações bilaterais diretas.
A diplomacia é estruturada como extensão da política econômica para captação de investimentos em tecnologia e minerais estratégicos.
Augusto Cury (Avante)
O plano foca na diplomacia comercial com a criação do modelo "Embaixadas 4.0", que estabelece metas de atração de investimentos e abertura de mercados para os postos diplomáticos, visando dobrar o comércio exterior brasileiro em oito anos.
A proposta também inclui a redistribuição geográfica do corpo diplomático: prevê o deslocamento de 20% do pessoal alocado nos Estados Unidos e 10% do alocado na Europa para reforçar a representação brasileira na Índia, China, Oriente Médio e África.