Sobreviventes de abusos rejeitam visita do Papa Leão XIV à Argentina

Grupo afirma que não se reunirá com pontífice e acusa Vaticano de manter encobrimento de responsáveis por abusos.

A Rede de Sobreviventes de Abusos Eclesiásticos na Argentina rejeitou a visita que o Papa Leão XIV fará ao país em novembro e afirmou que não pretende se reunir com o pontífice durante a estadia.

Em comunicado divulgado na terça-feira (25), a organização acusou o Vaticano de continuar encobrindo responsáveis por abusos e questionou a política de "tolerância zero" adotada pela Igreja.

Segundo o grupo, as promessas de combate aos abusos funcionam como "uma verdadeira cortina de fumaça para continuar encobrindo e ocultando".

Denúncias sem resposta

A rede afirmou que enviou, no fim de 2025, um relatório à Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores com uma lista de supostos abusadores e denúncias sobre a falta de medidas concretas para reparar as vítimas.

Segundo a organização, não houve resposta. O grupo afirmou que isso demonstra falta de interesse em tratar o tema e acusou a Igreja de manter uma postura de negação diante dos abusos.

Consultada pela Associated Press, uma fonte da Conferência Episcopal Argentina afirmou: "Respeitamos todas as opiniões".

Visita à Argentina

As críticas ocorrem após Leão XIV pedir, em junho, durante uma visita à Espanha, que a hierarquia católica oferecesse reparação às vítimas de abusos sexuais cometidos por integrantes do clero e tratasse a crise com transparência.

O Papa receberá nesta quinta-feira (27), no Vaticano, as principais autoridades do episcopado argentino para acertar os detalhes da visita à Argentina, prevista de 8 a 11 de novembro.

A Argentina fará parte da primeira viagem de Leão XIV à América Latina, que também incluirá Uruguai e Peru.