O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou a reportagem publicada pelo Wall Street Journal sobre a suposta "ameaça" que a Rússia representa para os países da OTAN.
"Muitas historinhas de terror como essas estão sendo publicadas agora", afirmou Peskov, questionado se Moscou acredita que a publicação poderia fazer parte de uma tentativa do governo dos EUA de exagerar artificialmente a suposta ameaça russa para justificar um aumento nos orçamentos militares da Aliança.
Segundo Peskov, o artigo "não tem nada a ver com a realidade e nada a ver com as intenções da Federação Russa".
"A Federação Russa continua a operação militar especial. Preferiria atingir o seu objetivo por meios pacíficos, mas, dada a impossibilidade de o fazer, continua a operação militar especial para garantir a sua segurança e os seus interesses no contexto do conflito em torno da Ucrânia", explicou o porta-voz.
O porta-voz também afirmou que a Rússia enfrenta uma política "muito agressiva" por parte de certos países.
"E essa agressão vem precisamente de países europeus", declarou.
Ele rejeitou as notícias sobre as supostas intenções de Moscou de atacar membros da OTAN e também questionou as interpretações da política russa: "Análises em contrário são uma distorção da realidade, meras farsas jornalísticas, nada mais".
Alegada "ameaça russa"
Nos últimos meses, o Ocidente intensificou sua narrativa sobre uma suposta "ameaça russa".
Moscou, no entanto, afirma repetidamente que não tem planos de atacar a Europa.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reiterou que as elites governantes europeias estão tomadas pela histeria, acreditando que "uma guerra com os russos está prestes a acontecer", embora seu país nunca tenha tido a intenção de atacar a Europa.
"É impossível acreditar nisso, mesmo que tentem convencer seu próprio povo", acrescentou.
Putin enfatiza que a atual crise ucraniana é uma consequência direta do desrespeito, ao longo de anos, do Ocidente pelos legítimos interesses de segurança de Moscou e de sua política de criar ameaças ao país, avançando o bloco da OTAN em direção às fronteiras da Rússia.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, denunciou este ano que as declarações de líderes ocidentais demonstram que eles estão se preparando "seriamente" para a guerra. O objetivo de infligir uma derrota estratégica à Rússia permanece nas mentes e nos planos dos líderes europeus, argumentou ele.