O Brasil pode se consolidar como um polo regional de data centers com o avanço da inteligência artificial. A avaliação é de Tiago Ivanoski, diretor de pesquisa energética da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que destacou a forte participação de fontes renováveis na matriz elétrica brasileira.
A carga dos data centers no Brasil pode chegar a 5,6 GW até 2030, segundo Ivanoski. A projeção aumentou 2,2 GW em apenas quatro meses, refletindo a expansão da demanda do setor.
Demanda por energia
Entre janeiro de 2025 e julho de 2026, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) recebeu 137 pedidos de conexão de data centers, que somam 12 GW de potência.
Desse total, 8 GW já receberam pareceres de viabilidade técnica e mais de 2 GW têm contratos de transmissão assinados.
Carlos Azem, chefe do departamento de Tecnologia da Informação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), estima que cada megawatt de capacidade demande cerca de US$ 10 milhões em investimentos (aproximadamente R$ 51,7 milhões). Assim, um projeto de 1 GW pode representar aproximadamente US$ 10 bilhões (aproximadamente R$ 51,7 bilhões).
Investimentos em IA
Além da forte presença de fontes renováveis na matriz elétrica, o Brasil prevê investimentos de R$ 23 bilhões até 2028 por meio do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial.
A consolidação do Brasil como polo regional de data centers depende da segurança do fornecimento de energia, da expansão das redes de transmissão, do aprimoramento do marco regulatório e da proteção da soberania digital.
Soberania digital
Apesar do potencial econômico, a expansão dos data centers também levanta preocupações sobre a soberania digital brasileira. Estudo produzido por pesquisadores da USP, FGV e UnB aponta que o setor público destinou ao menos R$ 23 bilhões, entre 2014 e 2025, à contratação de softwares, serviços em nuvem e soluções de segurança digital de grandes empresas estrangeiras, cenário que, segundo os autores, reforça a dependência tecnológica do país.
O relatório também chama atenção para o risco de que a atração de novos data centers amplie essa dependência caso os investimentos não sejam acompanhados pelo desenvolvimento de infraestrutura e tecnologia nacionais.
Entre as alternativas propostas estão a criação de uma nuvem pública federada, a adoção de softwares desenvolvidos por universidades e centros públicos de pesquisa e a exigência de maior interoperabilidade nas compras governamentais.