EUA negociam participação no petróleo da Venezuela e podem duplicar reservas — Axios

Conversas envolvem cerca de 12 campos com 90 bilhões de barris; Casa Branca pressiona por acordo rápido.

O governo dos Estados Unidos negocia com a Venezuela a aquisição de participações relevantes no negócio petrolífero do país sul-americano, segundo o Axios, que cita dois funcionários americanos. As conversas envolvem campos produtivos e ainda estão em fase de definição dos termos.

"Seria pouco dizer que este acordo é enorme: é gigantesco", afirmou uma das fontes. Se for concluído, o pacto poderia permitir a Washington duplicar suas atuais reservas de petróleo, que estariam no menor nível em quatro décadas.

A Casa Branca também estaria pressionando para que o acordo seja assinado rapidamente. O conflito no Oriente Médio afetou cadeias globais de fornecimento de energia e pressionou os preços para cima.

Autoridades dos departamentos de Estado e de Guerra dos EUA visitaram Caracas em julho para se reunir com autoridades venezuelanas e avançar na definição dos termos. O vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, e o secretário de Energia, Chris Wright, também teriam participação relevante nas negociações.

Campos em discussão

Wright estaria avaliando viajar a Caracas já na próxima semana. As negociações abrangem cerca de 12 campos produtivos, e não a totalidade das reservas venezuelanas, estimadas em cerca de 300 bilhões de barris.

Uma das autoridades americanas afirmou que os campos incluídos nas conversas concentram 90 bilhões de barris. Eles já teriam sido explorados anteriormente, sempre com participação majoritária do Estado venezuelano, por parceiros que Washington considera inconvenientes, entre eles a China.

Pelo modelo em negociação, empresas, especialmente as sediadas nos Estados Unidos, desenvolveriam os campos, o que permitiria à Venezuela ampliar suas receitas petrolíferas, segundo as fontes citadas. Os EUA, por sua vez, receberiam uma participação ainda não divulgada na propriedade do petróleo.

A Venezuela aprovou recentemente uma reforma da lei de hidrocarbonetos que amplia de forma significativa a participação privada no setor. A Constituição de 1999, porém, estabelece em seu artigo 12 que as riquezas do subsolo pertencem de forma inalienável e imprescritível ao povo venezuelano.

Interesse norte-americano

O eventual acordo seria considerado um marco para a política externa do governo Donald Trump em relação aos recursos naturais da região. Uma das autoridades afirmou que o presidente está próximo de "assegurar o futuro energético dos Estados Unidos para as próximas gerações, não apenas nos EUA, mas em todo o hemisfério".

Antes do ataque militar à Venezuela e do sequestro do presidente Nicolás Maduro, Trump já havia manifestado interesse em ampliar a posição dos Estados Unidos na exploração e comercialização do petróleo venezuelano, segundo a fonte.

Após a detenção de Maduro, Trump também afirmou em diferentes ocasiões que os Estados Unidos retiraram "milhões de barris" de petróleo da Venezuela e que esses recursos ajudaram a financiar os custos da guerra contra o Irã.

Integrantes do governo americano avaliam, segundo uma das fontes ouvidas pelo Axios, o possível impacto negativo dessas declarações e de críticas à presidente encarregada, Delcy Rodríguez, por uma eventual concessão dos recursos venezuelanos em condições desfavoráveis.

A mesma fonte afirmou que os participantes americanos das negociações estão "fazendo todo o possível para demonstrar como isso beneficiará o povo da Venezuela, porque será assim".