O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (27), durante sabatina no Jornal Nacional, da Rede Globo, que não irá interferir nas investigações envolvendo seu filhoFábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
"Não vai ter um milímetro de movimento para proteger meu filho", declarou. Segundo Lula, caso seja comprovado algum ilícito, o filho "terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro".
Questionado sobre mensagens obtidas pela Polícia Federal nas quais Lulinha é citado como alguém que "entra em campo quando precisa", Lula afirmou que conversas telefônicas, por si só, não constituem prova de crime.
"Até agora não tem uma prova de conversa do meu filho com qualquer ministro. E eu tenho certeza que não fez", disse o presidente, em referência às suspeitas de que o filho teria atuado junto ao Palácio do Planalto para se aproximar do Ministério da Saúde.
Provar a inocência
Lulinha é investigado emtrês procedimentos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), relacionados a desdobramentos da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de irregularidades envolvendo descontos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Lula afirmou ter certeza da inocência do filho, mas ressaltou que ele deverá responder caso sejam comprovadas irregularidades. "Ele sabe o que tem que fazer. Tem que provar a inocência dele. E eu tenho certeza que ele vai ser inocente", declarou.
Ao abordar as acusações relacionadas à Operação Lava Jato, Lula voltou a criticar o ex-juiz Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol:
"A Lava Jato foi a maior mentira", afirmou. O presidente também disse que sua família sofreu consequências das acusações feitas durante a operação e afirmou que Lulinha "sabe o que eu passei, sabe que a Marisa [Letícia, ex-primeira-dama] morreu por causa da falsa acusação que foi feita na Lava Jato".
Ligações suspeitas
As mensagens obtidas pela Polícia Federal ainda mostram que a lobista Roberta Luchsinger atuou junto de Lulinha para intervir em negócios com o governo federal. De acordo com as suspeitas, o filho do presidente teria utilizado de influência no Planalto para beneficiar contratos particulares.
Sobre o caso, o presidente disse que não há provas de ilícitos. "Só faltava dizer que eu ofereci pra ela ser ministra da Defesa, chefe do Exército ou chefe da Marinha", ironizou. "Malandro é igual em qualquer lugar do mundo. Eu estava acompanhando (...) Não sou nem procurador, nem juiz e nem policial", completou.
"Essa mulher conseguiu liberar o dinheiro que ela disse que estava atrás? Conseguiu? Tem alguma prova que usou dinheiro público? Aí está o crime. Por isso não sou precipitado. Fui acusado de ter um apartamento que não tinha, uma chácara que não tinha (...) não gosto de fazer pirotecnia (...) todos eles que participaram, o caminho é um só, o da investigação", completou.