'UFRJ não aceita nazismo', mas repudia violência, diz reitor após espancamento no campus

Universidade abriu sindicância para apurar agressões e a apologia ao nazismo; punições podem chegar à expulsão.

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho, afirmou que a instituição repudia tanto a apologia ao nazismo quanto a violência, após a agressão coletiva contra um estudante de História no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS). A universidade abriu uma sindicância para apurar o episódio, segundo matéria do jornal Globo nesta sexta-feira (28).

O estudante foi agredido por colegas na terça-feira (25) dentro do IFCS, no centro do Rio, e voltou a apanhar após ser perseguido na rua. Ele usava uma camiseta da banda inglesa Death in June, conhecida pelo uso de iconografia nazista em álbuns e materiais promocionais.

"A UFRJ não aceita o nazismo, o antissemitismo, nem qualquer forma de discriminação. Mas também repudia de forma clara a violência", disse Medronho. Segundo ele, diante de uma apologia à simbologia nazista, as autoridades policiais devem ser acionadas.

Apuração

A Polícia Civil abriu inquérito e enviou um ofício à universidade. A UFRJ também criou uma comissão de sindicância para apurar tanto a manifestação de apologia ao nazismo quanto as agressões físicas.

Medronho afirmou que os envolvidos serão chamados e terão direito à ampla defesa. O código disciplinar da UFRJ prevê repreensão verbal ou por escrito, suspensão e, nos casos mais graves, expulsão.

"O fato de haver a apologia a um regime execrável não justifica o castigo de outras pessoas", afirmou o reitor. "Não se pode combater a violação da lei com outra forma de violência."

Próximos passos

Segundo Medronho, há relatos de que o estudante teria chamado um jovem negro de "macaco" e puxado seu cabelo. Ele ressaltou, contudo, que essas versões não foram comprovadas. "São relatos das pessoas envolvidas. Não podemos dar credibilidade", afirmou.

A UFRJ também busca criar um conselho consultivo, formado por professores, estudiosos e pessoas de notório saber, para assessorar a universidade em situações semelhantes e desenvolver ações com os estudantes.

O reitor afirmou ainda que há preocupação com novos episódios de tensão com a aproximação das eleições. "Com a chegada das eleições, tememos que casos semelhantes se espalhem", disse.