Níger sufoca levante militar após horas de tiroteios e explosões na capital

Soldados amotinados atacaram o aeroporto e a presidência em Niamey durante a madrugada, provocando confrontos intensos antes de forças leais recuperarem progressivamente o controle do território.

Um motim de soldados do exército do Níger atacou o aeroporto internacional Diori Hamani e o palácio presidencial na capital Niamey, na madrugada deste sábado (29), desencadeando horas de intensos tiroteios e explosões que chegaram a tirar do ar temporariamente a televisão e o rádio estatais, segundo fontes da imprensa africana.

O palácio parecia estar sob controle de forças leais pela manhã, mas a área do aeroporto ainda era disputada, segundo informações da agência britânica Reuters. 

O Ministério da Defesa nigerino anunciou posteriormente que as forças de defesa e segurança conseguiram conter a "tentativa de insurreição" e retomar progressivamente o controle dos pontos sensíveis da cidade, classificando o incidente como um esforço de golpe militar impedido pela "rápida reação" das tropas.

O ataque, terceiro neste ano contra o aeroporto em Niamey após ofensivas em janeiro e junho, envolveu soldados de bases da capital e das localidades de Ouallam, Tera e Dosso, no sudoeste, regiões onde tropas enfrentam pesadas baixas em combates contra afiliados do Estado Islâmico, gerando frustração crescente.

Inicialmente, houve suspeitas de envolvimento de grupos jihadistas, já que afiliados da Al-Qaeda* e do Estado Islâmico* estiveram envolvidos nas ofensivas anteriores. Contudo, a imprensa nigerina indica que não houve reivindicações pelos canais habituais do JNIM* ou do Estado Islâmico* até a divulgação oficial.

*Reconhecidos como grupos terroristas na Rússia e proibido em seu território.

Bússola geopolítica

O levante representa mais uma ameaça ao governo de Abdourahamane Tiani, que assumiu o poder num golpe militar em 2023 e abriu caminho à formação da Confederação dos Estados do Sahel junto a Mali e Burkina Faso, prometendo melhorar a segurança no país, importante produtor de urânio.

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O governo de Tiani, nomeado presidente do Conselho Nacional de Salvaguarda da Pátria, depôs a Presidência de Mohamed Bazoum, que havia sido considerado um parceiro crucial do Ocidente no combate ao "extremismo" na região do Sahel.

Desde então, o Níger rompeu laços com parceiros de segurança ocidentais tradicionais e se aproximou da Rússia, ainda enfrentando ataques jihadistas e sanções da opositora Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS).

Em julho, Tiani havia acusado a inteligência francesa de planejar novos ataques contra o país, afirmando que serviços franceses trabalhavam para um "terceiro ataque" após as ofensivas deste ano.

O líder nigerino atribuiu essas operações a mercenários "a soldo da França", enquadrando o conflito como uma luta contra o colonialismo francês na região.