China exige proteção de seus interesses na Venezuela após acordo petrolífero com EUA

Nas últimas décadas, a Caracas vinha se concentrando em em expandir suas relações bilaterais para além da esfera de influência ocidental e ampliando a cooperação com Pequim.

A China exigiu na terça-feira (1º) que o direito internacional seja respeitado e seus interesses na Venezuela sejam defendidos, no contexto do recente acordo petrolífero assinado por Washington e Caracas, informou a agência Xinhua.

"A China sempre defendeu que as relações entre os países devem ser regidas pelos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, ao ser questionado se o acordo afetaria os investimentos de Pequim na Venezuela.

O diplomata enfatizou que a cooperação econômica e comercial entre os países deve seguir princípios que beneficiem ambos os lados e destacou que a cooperação bilateral com o país sul-americano é protegida tanto pelo direito internacional quanto pelas leis locais de ambas as nações.

Ele enfatizou: "Os direitos e interesses legítimos da China na Venezuela devem ser protegidos".

Acordos de longo prazo

Nas últimas décadas, a Venezuela vinha se concentrando em expandir suas relações bilaterais para além da esfera de influência ocidental. A doutrina de política externa, apelidada de "Diplomacia Bolivariana da Paz" pelo então presidente Hugo Chávez, incluía entre seus objetivos estratégicos a cooperação para consolidar um mundo multicêntrico e multipolar, em oposição ao unilateralismo que caracterizou a política externa dos EUA desde o fim da Guerra Fria.

Nesse espírito, ocorreram sucessivas reaproximações entre Caracas e Pequim, culminando na assinatura de inúmeros acordos de cooperação de longo prazo, inclusive no setor petrolífero, por meio de parcerias entre as empresas estatais Petróleos de Venezuela (PDVSA) e Sinopec.

Contudo, essa proximidade não foi bem recebida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que em janeiro de 2026, após o ataque militar contra a Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, declarou: "Eu disse à China e à Rússia: 'Nós nos damos muito bem com vocês. Gostamos muito de vocês. Não os queremos lá.'"

"O maior acordo da história mundial"