
EUA impõem sanções contra neto de Raúl Castro

O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou nesta quinta-feira (3) Fidel Ernesto Castro Calis, neto do ex-presidente de Cuba Raúl Castro. O ato faz parte das medidas coercitivas intensificadas pelo governo de Donald Trump para aumentar a pressão política e social e a asfixia econômica contra a ilha caribenha.
Castro Calis é um dos filhos de Alejandro Castro Espín, filho do ex-presidente cubano e diretor da Direção de Inteligência de Cuba, também sancionado por Washington. "Esta medida inclui a imposição de sanções a mais um membro da família Castro e restringe ainda mais a capacidade do regime de financiar e fornecer recursos para sua repressão", informou o Departamento de Estado em comunicado.

A pasta comandada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, detalhou que Castro Calis foi sancionado por meio da ordem executiva 14404 "por ser um membro adulto da família" de Castro Espín. Pelo mesmo motivo, os EUA incluíram na lista de sancionados, o outro filho do funcionário cubano, Raúl Alejandro Castro Calis.
"Hoje, o Departamento de Estado designou cinco entidades e um indivíduo com o objetivo de promover a estratégia abrangente do governo Trump para pôr fim às atividades malignas do regime cubano, tanto em Cuba quanto em todo o nosso hemisfério", afirmou o Departamento de Estado, acrescentando que as medidas respondem a "critérios específicos relacionados à repressão em Cuba e a outras ameaças à segurança nacional e à política externa dos EUA".
Entidades cubanas sancionadas
As cinco entidades estatais cubanas sancionadas pelos EUA nesta quarta-feira são: Banco Exterior de Cuba; a empresa de combustíveis Comercial Cupet S.A.; a Empresa de Serviços Comandante René Ramos Latour (Nicarotec), dedicada aos setores de mineração e indústria; a Importadora de Abastecimento para o Petróleo (ABAPET); e a Importadora e Abastecedora de Níquel (Cexni).
O Departamento de Estado informou que essas medidas "proíbem todas as transações e negócios realizados por pessoas dos EUA, dentro dos EUA (ou em trânsito), que envolvam quaisquer bens ou interesses em bens das pessoas designadas ou bloqueadas".
Isso implica que qualquer cidadão ou empresa no mundo que mantenha algum tipo de vínculo comercial com os EUA não pode manter relações de qualquer natureza com pessoas ou entidades cubanas sancionadas.
Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo a Casa Branca, Cuba representaria para a segurança dos EUA e da região. O texto acusa o governo cubano de se alinhar a "diversos países hostis", abrigar "grupos terroristas transnacionais" e permitir a instalação na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
Com base nessas alegações, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que venderem petróleo a Cuba, além de ameaças de represálias contra aqueles que agirem em desacordo com a ordem executiva da Casa Branca.
A medida ocorre em meio a uma escalada das tensões entre Washington e Havana, que tem rejeitado reiteradamente essas alegações e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".
Em 7 de março, Trump anunciou que "uma grande mudança chegará em breve a Cuba", que, acrescentou, está chegando "ao fim do caminho".
Os EUA mantêm o bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi reforçado recentemente com diversas medidas coercitivas e unilaterais.

