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Brasil é um dos centros do novo mundo multipolar, afirma chanceler russo

Na avaliação de Sergey Lavrov, o Brasil está no seleto rol de países onde se concentram "crescimento econômico, poder financeiro e influência política, inclusive militar".
Brasil é um dos centros do novo mundo multipolar, afirma chanceler russoGettyimages.ru / Aaron Favila - Pool / Christian Adams

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que, além do seu país, "China, Índia e Brasil" estão entre os novos centros de poder que impulsionam o surgimento de um mundo multipolar. A declaração foi feita nesta quinta-feira (3), durante uma palestra da Sociedade Russa "Znanie" à margem do XI Fórum Econômico Oriental, em Vladivostok.

O chanceler afirmou que por cerca de 500 anos, o Ocidente controlou o desenvolvimento global "com diferentes graus de sucesso", mas agora se depara com o surgimento desses novos centros de "crescimento econômico, poder financeiro e influência política, inclusive militar".

"A China é o primeiro exemplo. A Índia e o Brasil também. A Rússia sempre foi um ator independente na política externa, com exceção de um breve período após o colapso da União Soviética até o início dos anos 2000. Felizmente, esse período ficou para trás. Combater essa multipolaridade é uma tendência imparável", pontuou.

Lavrov destacou que a China está se desenvolvendo em um ritmo que "há muito tempo não é alcançado pelo Ocidente". O mesmo processo, segundo ele, ocorre na Índia e em outros países. 

"Segundo despertar" da África

O alto diplomata também apontou mudanças no continente africano, que, em sua avaliação, está "despertando pela segunda vez". Embora os países africanos tenham conquistado a independência política nas décadas de 1960, afirmou o chanceler, eles perceberam que continuam economicamente dependentes das antigas metrópoles.

"[Países do Ocidente] retiram as matérias-primas e produzem todo o valor agregado por conta própria", resumiu, ao criticar o modelo econômico herdado do período colonial. 

Nesse contexto, o ministro lembrou de uma colocação de Yokohama Museveni, presidente de Uganda, e destacou que o mercado mundial de café movimentaria cerca de 450 bilhões de euros, enquanto a África ficaria com apenas 25 bilhões. O restante do valor seria gerado em países ocidentais, onde o produto é processado, embalado e distribuído.

"Hoje, a África quer que seus recursos naturais sejam processados em produtos finais comercializáveis, não em algum lugar distante do continente, mas nos próprios países onde esses recursos são extraídos", enfatizou.