Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou em delação premiada que fez operações financeiras para Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Segundo o relato, o trabalho envolvia remessas ao exterior e a obtenção de grandes volumes de dinheiro vivo. A informação foi publicada pelo portal Poder 360 nesta sexta-feira (4).
Pessoas com conhecimento da colaboração disseram que Vorcaro transferia bens ou recursos para empresas de Freixo e pedia que ele buscasse operadores que disponibilizassem dinheiro em espécie. Parte dos valores era colocada em malas e entregue a emissários do banqueiro.
Os intermediários cobravam 4% pela operação. Freixo afirmou que não sabia qual era o destino final do dinheiro.
Remessas ao Texas
Freixo também apresentou documentos sobre transferências da Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund, sediado no Texas e administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
De acordo com ele, os repasses ao Havengate usaram recursos de Vorcaro e foram realizados a pedido do banqueiro.
A delação descreve uma espécie de conta conjunta usada para pagamentos e reúne comprovantes de operações de câmbio para o envio do dinheiro ao exterior.
Investigadores apuram se houve evasão de divisas. Autoridades suspeitam que parte dos recursos enviados aos Estados Unidos possa ter sido destinada a Eduardo Bolsonaro, mas Freixo disse não saber se o dinheiro financiou o ex-deputado ou outro aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Fluxo de recursos
Freixo relatou ainda que técnicos do Banco Central haviam identificado um fluxo atípico de recursos da Entrepay, empresa do Grupo Entre. O dinheiro saía do Brasil, passava pelas Bahamas e seguia para o Texas.
A Entrepay foi liquidada pelo Banco Central em março. O acordo de colaboração de Freixo foi fechado com a Procuradoria-Geral da República em agosto e encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para homologação.
Pelo acordo, Freixo se comprometeu a pagar cerca de R$ 2 bilhões em multa. Mendonça marcou audiência para terça-feira (8) para avaliar a voluntariedade da colaboração.
A delação de Freixo é a segunda firmada pela PGR no caso do Banco Master. A primeira foi fechada com João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag.