O enviado especial da Presidência da Rússia e diretor-geral do Fundo Russo de Investimento Direto, Kirill Dmitriev, afirmou nesta sexta-feira (4) que a indústria alemã está enfraquecendo por causa da decisão de não importar gás russo.
"Sem gás russo, não há indústria alemã", escreveu Dmitriev no X. A declaração foi feita em comentário a uma publicação de Alice Weidel, líder do partido de oposição Alternativa para a Alemanha (AfD).
Weidel reagiu à notícia de que a siderúrgica ArcelorMittal fechará fábricas na cidade de Duisburgo. Segundo ela, dois terços dos funcionários serão afetados.
Críticas de Weidel
"Novo golpe para a indústria alemã: ArcelorMittal fecha fábricas em Duisburgo e dois terços dos funcionários são afetados", escreveu Weidel na rede social X.
A líder da AfD também responsabilizou a coalizão negro-vermelha e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pela situação. "Estão arruinando nosso país com sua política de 'transformação verde'. Vamos acabar com essa loucura!", afirmou.
Em julho, o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse em entrevista à emissora ZDF que a Europa enfrenta uma situação difícil por diferentes fatores.
Entre esses fatores, Merz destacou a crise energética provocada, segundo ele, pela falta de gás russo.
- A União Europeia substituiu o gás russo barato, que servia de base para sua indústria, por outras fontes, entre elas o gás natural liquefeito dos EUA, muito mais caro.
- A atual escalada no Oriente Médio disparou os preços do petróleo e do gás, encarecendo ainda mais a energia na UE, pressionando famílias e empresas, provocando fechamentos de indústrias, demissões e um enfraquecimento econômico progressivo.
- Em setembro de 2022, os gasodutos Nord Stream 1 e 2, que ligam a Rússia à Alemanha, ficaram fora de operação após uma explosão que provocou grandes vazamentos de gás no Mar Báltico. Moscou classificou o ocorrido como sabotagem, enquanto os governos da Dinamarca, Alemanha e Suécia se recusaram a divulgar os resultados de suas investigações.
- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou em outubro de 2025 que a renúncia à energia russa havia provocado uma série de efeitos negativos para a economia europeia, como a queda do faturamento industrial, o aumento dos preços do petróleo e do gás importados de outros continentes e a perda de competitividade dos produtos e da economia europeus como um todo.