A Rússia apoiou nesta sexta-feira (4) a resolução da Assembleia Geral da ONU que propôs uma representação cartográfica mais proporcional do mundo. Moscou argumentou que "os mapas não existem em um vácuo histórico", moldando, por gerações, "a compreensão que as pessoas têm do mundo".
A iniciativa, apresentada por países africanos, foi aprovada por 164 votos a favor, um contra e seis abstenções. Os Estados Unidos foram o único país a votar em oposição.
A proposta "Corrija o mapa" questionou o uso da projeção de Mercator, criada no século XVI para navegação. Ela é criticada por ampliar visualmente áreas próximas aos polos, associadas ao Norte Global, enquanto reduz regiões como África e América Latina.
Em declaração na ONU, a representante permanente adjunta da Rússia, M.V. Zabolotskaya, afirmou que a reprodução desse modelo por décadas ajudou a criar uma percepção distorcida das dimensões dos continentes.
Legado colonialista
Moscou ligou a distorção cartográfica ao passado colonial do Ocidente. "A persistente reprodução de uma representação desproporcional do continente africano passou naturalmente a ser percebida como mais um elemento de um paradigma passado no qual o lugar e a importância da África foram minimizados", afirmou.
A diplomata destacou ainda que a resolução não busca definir uma projeção "correta", mas incentivar representações mais adequadas para fins educacionais e informativos.
"A Rússia defende consistentemente a superação do legado do colonialismo e o combate às práticas neocoloniais", disse Zabolotskaya, acrescentando que Moscou apoia os esforços africanos para "restaurar a justiça histórica" e fortalecer o papel do continente na ordem multipolar.
Anteriormente, Moky Makura, diretor executivo da Africa No Filter, uma das entidades que lideram a iniciativa, utilizou palavras igualmente contundentes em sua argumentação:
"O tamanho atual do mapa da África está errado", salientou, afirmando que a projeção de Mercator representa a "mais longa campanha de desinformação do mundo" e que "simplesmente precisa acabar".