Raiz do conflito ucraniano 'foi a expansão da OTAN', diz Celso Amorim à RT

Com o fim da Guerra Fria, a aliança militar prometeu que não avançaria "uma única polegada" para o leste, mas continuou se expandindo em direção às fronteiras da Rússia, lembrou o alto diplomata brasileiro.

O alto diplomata brasileiro Celso Amorim, assessor-chefe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, afirmou que a raiz do conflito na Ucrânia foi a expansão da OTAN. A declaração foi feita em entrevista conduzida pelo ex-presidente do Equador Rafael Correa, apresentador do programa "Conversando com Correa", da RT.

»CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA CLICANDO AQUI«

"A raiz foi a expansão da OTAN. A famosa frase, tendo em vista os acordos anteriores, 'nem uma polegada para o leste', não é? Que [o ex-secretário de Estado dos EUA, James] Baker disse, se bem me lembro, logo após a reunificação da Alemanha, dizendo que não avançariam", pontuou Amorim.

Ao longo da conversa, o ex-chanceler revelou ainda que mantém contato frequente com figuras do alto escalão da política de Moscou, a quem se referiu como "seus amigos russos". Entre elas, o ministro das Relações Exteriores Sergey Lavrov, o assessor do presidente da Rússia para Assuntos Externos Yuri Ushakov e Nikolay Patrushev, assessor do presidente Vladimir Putin, que visitou o Brasil recentemente.

Entenda:

Em 1990, durante as negociações sobre a reunificação da Alemanha, o então secretário de Estado dos EUA, James Baker, afirmou ao chanceler soviético Eduard Shevardnadze que a jurisdição e as forças da Aliança não se moveriam para o leste. No mesmo dia, Baker disse ao líder soviético Mikhail Gorbatchov que a OTAN não avançaria "nem uma polegada para o leste", segundo arquivos posteriormente desclassificados.

Anos depois, documentos diplomáticos vieram a público registrando declarações de autoridades ocidentais que indicavam que Moscou havia sido tranquilizada sobre a ausência de planos de expansão da Aliança para a Europa Oriental.

Na época, a OTAN reunia 16 países-membros. Atualmente, a Aliança conta com 32 integrantes, após sucessivas ondas de expansão para o leste europeu. Entre os novos membros estão países que anteriormente faziam parte do Pacto de Varsóvia e três ex-repúblicas soviéticas — Estônia, Letônia e Lituânia — levando a infraestrutura militar da OTAN chegasse às proximidades das fronteiras russas.

Em 2007, o presidente Vladimir Putin chamou a atenção, em discurso acompanhado por líderes do Ocidente presentes na Conferência de Segurança de Munique, para as contradições: ''O que aconteceu com as promessas feitas pelos parceiros ocidentais após a dissolução do Pacto de Varsóvia? Onde estão essas promessas agora? Ninguém se lembra delas", destacou.

E a Ucrânia?

Em 2008, a OTAN declarou, durante a cúpula realizada em Bucareste, que a Ucrânia e a Geórgia se tornariam membros da Aliança. Dez anos depois, em 2018, Kiev obteve o status de país candidato à OTAN e, em fevereiro de 2019, incorporou à Constituição o objetivo de ingressar no bloco militar, além da União Europeia.

Após o início do conflito com a Rússia, em setembro de 2022, Kiev apresentou umpedido de adesão acelerada à OTAN. A Aliança, no entanto, afirmou que a Ucrânia precisaria primeiro resolver o conflito com a Rússia para ingressar no bloco, mantendo a questão da adesão em aberto.

»ASSISTA À CONVERSA COMPLETA ENTRE CORREA E AMORIM CLICANDO AQUI«