O Reino Unido está preparando exercícios militares em larga escala com veteranos como parte de um plano mais amplo para testar suas capacidades de resposta em meio a temores de um possível "conflito com a Rússia", informou o The Daily Telegraph na segunda-feira (7).
Os exercícios foram anunciados pela Ministra das Forças Armadas britânicas, Louise Sandher-Jones, que afirmou que eles ocorrerão no próximo ano como parte de uma operação mais ampla destinada a avaliar a resiliência militar do país.
Uma parte da chamada "reserva estratégica", composta por cerca de 95 mil militares da reserva, será mobilizada "em uma escala nunca vista há muito tempo", afirmou.
O jornal observa que a iniciativa surge em um momento em que o Reino Unido quer reforçar sua prontidão militar em meio ao rearme da Europa e às alegações de uma suposta "ameaça" russa, uma afirmação que Rússia nega veementemente.
"A reserva estratégica é um compromisso real para aqueles que fazem parte dele e será exercitado como parte de nosso programa de exercícios no próximo ano, onde realizaremos medidas para convocar, usar, equipar e todos os outros procedimentos que teríamos que seguir para usar o estoque estratégico adequadamente", afirmou Sandher-Jones.
Alterações legais
Segundo a legislação atual, ex-oficiais e reservistas regulares podem ser mobilizados vitaliciamente, enquanto o Ministério da Defesa britânico deve manter contato com militares da reserva durante os primeiros seis anos após o término do serviço ativo.
Em janeiro, foi anunciado que a idade máxima para a mobilização de veteranos aumentaria de 55 para 65 anos , e também estão em andamento planos para reduzir o limite legal para sua ativação.
Esse limite não estará mais vinculado exclusivamente a situações de "perigo nacional, grande emergência ou ataque" em solo britânico, mas também incluirá situações de "preparativos de guerra". Espera-se que essa reforma entre em vigor na primavera do próximo ano.
O Daily Telegraph destaca que o novo plano representa um desafio para o governo britânico, após revelações de que as autoridades haviam perdido o rastro de uma parte significativa dessa rede de ex-militares do Exército, da Força Aérea Real e da Marinha.
O Exército Britânico conta atualmente com aproximadamente 71 mil soldados totalmente treinados e em tempo integral, o menor número em mais de dois séculos.
A suposta "ameaça russa"
- Atualmente, os países-membros da OTAN estão se rearmando e investindo recursos em defesa sob o pretexto da suposta "ameaça russa". No entanto, a Rússia rejeita categoricamente essa narrativa difundida por líderes europeus.
- Em junho, o presidente Vladimir Putin classificou como "provocação deliberada" os rumores sobre um hipotético ataque russo à Aliança Atlântica. "Que sentido faria para nós atacar a Europa e entrar em guerra com a OTAN?", questionou o presidente.
- Já em 2025, o presidente russo havia denunciado a histeria das elites ocidentais: "Eles repetem essa bobagem, esse mantra, várias e várias vezes (...) É impossível acreditar nisso, embora tentem convencer sua própria população".