A OpenAI anunciou, nesta terça-feira (8), que um sistema experimental de inteligência artificial (IA) conseguiu, em apenas 88 horas, resolver um problema matemático que estava há cerca de 90 anos sem solução. O desafio está relacionado com as equações de Navier-Stokes, usadas para descrever o movimento dos fluidos, segundo a empresa.
A questão consistia em saber se as equações que descrevem um fluido em três dimensões podem gerar uma "singularidade": um ponto em que grandezas como a velocidade se tornam infinitas em um tempo finito, mesmo partindo de condições regulares.
O enigma remonta aos estudos do matemático Jean Leray, em 1934.
Para o desafio, a OpenAI utilizou um novo modelo interno, ainda não disponível publicamente, e mobilizou cerca de 10 mil agentes de IA capazes de trabalhar simultaneamente, trocar informações e explorar diferentes caminhos para chegar a uma solução.
A empresa começou o experimento em 1º de setembro e chegou ao resultado no dia 5 — cerca de 88 horas depois.
O experimento foi gigantesco: só no trabalho com Navier-Stokes, os agentes de IA trocaram 2,7 milhões de mensagens e geraram 130 bilhões de tokens.
A solução foi então formalizada e verificada com a linguagem matemática Lean — um processo que levou mais 17 horas.
A OpenAI afirma a sua demonstração estabelece que um fluido inicialmente em repouso e submetido a uma força suave pode desenvolver uma singularidade em um tempo finito.
Segundo a empresa, o resultado resolve as formulações "C" e "D" contempladas no enunciado oficial do problema de Navier-Stokes.
O desafio faz parte dos sete Problemas do Milênio estabelecidos em 2000 pelo Clay Mathematics Institute, que oferece um prêmio de um milhão de dólares a quem resolver cada um deles, reportou a BBC.
Por enquanto, a solução da OpenAI não foi aceita pelo instituto nem verificada de forma independente por outros matemáticos. A própria empresa esclareceu que não pretende requisitar o prêmio.